Sergipe tem baixo índice de vítimas de crimes, diz pesquisa

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Aracaju é a capital brasileira com o menor índice de pessoas que foram vítimas de violência em algum momento da vida – e tem o segundo índice mais baixo entre os que já foram vitimados nos últimos 12 meses. A conclusão é da Pesquisa Nacional de Vitimização, encomendada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), ligada ao Ministério da Justiça, e realizada pelo instituto Datafolha, com o acompanhamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Centro de Estudos da Criminalidade e Segurança Pública (Crisp), ligado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O trabalho teve seu resultado divulgado nesta quinta-feira e também colocou Sergipe abaixo da média nacional, em comparação com todos os estados.

Os dados apontam que 25,9% dos sergipanos afirmam já ter sido vítima de crimes em algum momento da vida, enquanto 74,1% dizem que nunca foram vítimas. Neste quesito, Sergipe fica abaixo apenas dos estados de Rondônia (23,3% x 76,7%), Santa Catarina (25,5% x 74,5%) e Piauí (25,8% x 74,2%). Já entre as pessoas que afirmam ter sido vítimas de violência nos últimos 12 meses, Sergipe alcançou o índice de 19,4%, perdendo apenas para Rondônia (18,1%), Paraná (17,4%), Rio Grande do Sul (17,2%) e Santa Catarina (17%). O estado com pior índice de vitimização foi o Amapá, com 55,6% de vítimas ao longo da vida e 46% de casos sofridos nos 12 meses passados. Já o Nordeste, cuja taxa de vitimização sofrida pela população no último ano é de 22%, tem estados com a terceira e quinta mais altas taxas do Brasil: Rio Grande do Norte (31,3%) e Ceará (26,6%).

Quanto aos dados de Aracaju, o resultado ainda é mais expressivo: 73,2% dos entrevistados afirmaram nunca terem sido vítimas de nenhum crime no último ano, enquanto 26,8% já foram vítimas. O segundo lugar deste quesito ficou com a capital rondoniense, Porto Velho (26,9% x 73,1%), seguido por Brasília, a capital federal (28,2% x 71,8%). Já sobre os crimes sofridos pelas pessoas em toda a vida, 19,8% dos aracajuanos admitem ter vivido isso, enquanto outros 80,2% negaram. Nesta questão, a capital sergipana foi superada apenas por Palmas, no Tocantins (19% x 81%).

A pesquisa ouviu 78 mil pessoas em 346 municípios brasileiros – incluindo todas as capitais – no período de junho de 2010 a maio de 2011 e junho de 2012 a outubro de 2012. A amostra é representativa do universo da população adulta (com idade igual ou superior a 16 anos) dos municípios com mais de 15 mil habitantes. Foi o primeiro trabalho do gênero realizado em abrangência nacional, qualificando os 12 tipos de ocorrências policiais mais registradas nas delegacias e mapeando as incidências e frequências com que elas acontecem em cada estado e suas respectivas capitais. Os crimes que compõem esta lista são: furto e roubo de automóveis, furto e roubo de motocicletas, furto e roubo de objetos ou bens, sequestro, fraudes, acidentes de trânsito, agressões, ofensas sexuais e discriminação.

Eu confio na polícia – A pesquisa do Datafolha também perguntou qual o índice de confiança que a população atribui as polícias Civil e Militar. No Brasil, a maioria (77,6%) dos entrevistados confiam na Polícia Militar, mas, neste grupo, cerca de 18% confiam muito – os demais 59,6% dizem confiar um pouco menos. Em Sergipe, esse índice é de 75,2%, sendo que 16,8% confiam muito e 58,4% relatam confiar menos.

De forma geral, a taxa de vitimização pela Polícia Militar é baixa entre os brasileiros: 2,6% dos entrevistados disseram que já foram extorquidos ou pagaram propina a policiais militares em todo o país. A taxa sergipana é uma das mais baixas do Brasil com 1,4% das pessoas que alegam terem sido extorquidas ou que pagaram propina. A maior taxa de extorsão e pagamento de propina envolvendo membros da corporação militar foi registrada no Rio de Janeiro (7,0%). Em seguida, com índices acima 5%, aparecem Amapá e Pará (5,3% cada).

Considerando apenas a taxa de muito confiável atribuída à Polícia Militar, a corporação com mais confiabilidade é a de Minas Gerais (26,1% confiam muito). Entre as consideradas muito confiáveis por ao menos 20% dos entrevistados aparecem ainda as PMs da Paraíba (22,1%), do Rio Grande do Sul (21,7%), de Santa Catarina (21%) e do Paraná (20%). A de Sergipe tem 16,8% dos entrevistados que apresentam alto grau de confiabilidade.

Já a Polícia Civil tem a confiança de 79,1% da população nacional, que se dividem entre aqueles que confiam muito (16,6%) e os que confiam um pouco (62,5%). Em Sergipe, 73.5% alegam confiar na Polícia Civil, sendo que 16,5% confiam muito e 57,0% relatam confiar um pouco menos.
De forma geral, a taxa de vitimização pela Polícia Civil é baixa: apenas 1,1% sofreram violência física de policiais civis, 2,1% declaram ter sofrido agressão verbal ou insulto, e 0,8% sofreu extorsão ou teve que pagar propina. Considerando-se a taxa de vitimização pela Polícia Civil no estado de Sergipe, 1,0% dos entrevistados alegaram ter sido vítimas de violência física. Insultos ou agressões verbais vitimaram 1,9% da população entrevistada, enquanto 0,2% alegam terem sido extorquidos ou pagaram propina.

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