SERVIDOR DA SAÚDE CONTINUA EM GREVE

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Ainda sem acordo, os servidores de nível médio que atuam nas unidades de atendimento de saúde da capital e do interior continuam em greve.
A pressão da categoria é urgente, em decorrência do executivo ter até hoje, 8 de abril, para se posicionar em relação ao aumento salarial por conta das eleições deste ano. A lei eleitoral determina que, depois dessa data, a administração pública não poderá aumentar salários de servidores, a não ser para repor a inflação.
Ontem pela manhã a categoria realizou mobilização com a participação de trabalhadores da rede de saúde Aracaju e do interior na porta do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).
A greve nas unidades de saúde do município de Aracaju já dura mais de um mês. Os servidores suspenderam os serviços desde o dia 17 de fevereiro. As principais reivindicações da categoria são melhores condições de trabalho, reajuste salarial, aumento de 100% na gratificação e extensão da gratificação para toda a equipe em áreas de risco.
De acordo com o presidente do Sindicato dos trabalhadores na área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), Augusto Couto, a prefeitura não atendeu até agora nenhuma reivindicação e novas mobilizações estão organizadas.
"A administração municipal ainda não negociou com a categoria em relação ao reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Por esta razão, a greve continua e as mobilizações também. Na próxima quinta-feira vamos realizar um grande ato público em frente à Câmara de Vereadores de Aracaju, mobilizando os parlamentares a intermediar junto à prefeitura a abertura de um canal de negociação com os trabalhadores", informa. O caso vem sendo analisado pela prefeitura através dos representantes da Comissão Permanente de Negociação, formada pelas secretarias municipais de Governo, da Fazenda e da Administração.
Na Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), os servidores que prestam atendimento no Huse, hospitais regionais e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes entraram em greve na última sexta-feira, 04 de abril. A categoria reivindica o cumprimento da proposta no Acordo Coletivo 2013-2015 acordada com a direção da FHS, em relação à redução de 12 horas para os profissionais que atuam durante o dia, assim como acontece com o turno da noite, incorporação dos 25% do Plano de Emprego e Remuneração (PER) e melhores condições de trabalho.
Na sexta-feira, a direção da FHS e servidores estiveram reunidos, mas não houve avanço e os cerca de 5.380 trabalhadores, entre enfermeiros, farmacêuticos, funcionários de laboratórios, estão paralisados. "O governo não apresentou nenhuma proposta. Mesma situação tem ocorrido com o município. Diante desta situação, mantemos a greve", informou Augusto Couto.
Os servidores da FHS decidiram suspender por tempo indeterminado as atividades após indicativo de greve aprovado durante a paralisação ocorrida no dia 21 de março. Augusto Couto destacou que houve retrocesso nas negociações gerado novamente pela alegação do governo de que não há dinheiro para aplicar a redução da jornada de trabalho. "Mais uma vez o governo insiste em afirmar que a medida causaria um impacto financeiro de R$ 9 milhões. Entendemos que na verdade o problema não é a falta de recursos e sim de gestão, sendo necessário priorizar investimentos que garantam o direito do trabalhador", critica.
Além da carga horária máxima de 30 horas de trabalho, a categoria reivindica a concessão de auxílio creche de R$ 100,00 para filhos de até sete anos, tíquete alimentação de R$ 500,00 e auxílio saúde de R$ 200,00.
A próxima reunião do comando de greve com a direção da FHS está marcada para a tarde de amanhã, quarta-feira.
Na capital e no interior, as unidades estão funcionando com escala mínima de profissionais. Durante a greve, somente os setores de urgência terão atendimento normal. De acordo com informações do Sintasa, durante o período de greve só há garantia de apenas 30% dos serviços.

FHS – Com relação à paralisação promovida pelo Sintasa, a diretoria da Fundação Hospitalar de Saúde esclareceu em nota enviada pela assessoria de comunicação que vem mantendo o canal de negociação aberto, a exemplo da reunião com a direção do Sintasa na ultima sexta feira, 04. "A FHS acredita que o diálogo é o melhor caminho para se chegar a um denominador comum e, assim, resolver a problemática", diz a nota.

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