Servidor federal amplia paralisação em Sergipe

Servidores da Justiça Federal fazem greve de advertência

Em meio à serie de paralisações em órgãos federais, servidores do Poder Judiciário Federal  (Tribunal Regional do Trabalho, Tribunal Regional Eleitoral, Justiça Federal e  Ministério Público da União em Sergipe) informaram na tarde de ontem que, após realização de diversas assembléias entre as categorias, decidiram decretar uma paralisação de advertência para todo o dia de hoje com possibilidade de conversão em greve por tempo indeterminado, sendo mantidos apenas os serviços essenciais dos órgãos, conforme exige a Constituição federal.

O motivo da greve é a falta de reajuste salarial desde 2006, quando tiveram aprovado o último Plano de Cargos e Salários – PCS, contabilizando perdas efetivas de poder aquisitivo face à inflação acumulada do período. Não muito diferente das demais categorias em greve ao longo dos últimos dois meses, os funcionários do judiciário afirmam que o Governo Federal se recusa a negociar efetivamente com o Procurador-Geral da República, com o Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e com os sindicatos nacionais das categorias, SINASEMPU e SINDJUS.

De acordo com os manifestantes, entre as estratégias de mobilização para essa quarta-feira, estão visitas setoriais nos órgãos do Poder Judiciário Federal em atuação no Estado de Sergipe, instalação de piquetes nas entradas dos prédios, uso de apitos, vuvuzelas, fogos e carros de som. A concentração dos grevistas está prevista para começar às 12h na frente da sede do TRE, localizado no Centro Administrativo, bairro Capucho.

Professores da UFS não aceitam proposta

Milton Alves Júnior

Docentes da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe (IFS) decidiram na manhã de ontem manter a greve que completa hoje 98 dias.. Mesmo concordando parcialmente com algumas propostas apresentadas pelo Ministério do Planejamento, inclusive em aceitar o salário inicial de R$2.018,77 para os profissionais com 20h de trabalho semanal, os docentes esperam que na próxima reunião com a ministra Mírian Belchior outras melhorias sejam anunciadas à categoria.

A categoria encaminhou para o Comando Geral de Greve (CGG) em Brasília o teor da decisão da assembléia extraordinária e continua na expectativa de encerrar a greve já nos próximos dias. Segundo Marcos Pedroso, vice-presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe (ADUFS), e membro do Comando Geral de Greve Unificada (CGGU), os professores já ‘flexibilizaram’ demais a proposta inicial, e agora o retorno às atividades depende exclusivamente do Governo Dilma Rousseff.

"Já fizemos de tudo, e visando não mais prejudicar os estudantes, até mudamos as nossas reivindicações. Estamos tentando chegar a um bom senso coletivo, só falta eles aceitarem", declarou. A manhã de ontem foi conturbada na sede do IFS devido ao cancelamento inesperado das matrículas de calouros que foram aprovados no último concurso vestibular do Instituto. Em consequência da greve, este procedimento burocrático estava previsto para acontecer ontem e hoje.

Servidores – Já os servidores técnicos da UFS aceitaram as propostas do governo, mas só devem voltar ao trabalho na próxima segunda-feira, 27. "Estamos de acordo com o que foi apresentado pelo Governo Federal, mas só depois de amanhã, quando realizaremos uma nova assembléia, é que iremos anunciar oficialmente se iremos ou não retornar à comunidade universitária", pontuou Edjanária Borges, presidente do Sintufs.

Policiais federais aguardam reunião de hoje

Prevista para ser realizada na manhã de ontem com diretores do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MP), uma reunião que poderia definir o futuro da greve dos policiais federais foi adiada para a manhã desta quinta-feira, 23, e pode comprometer serviços burocráticos, antes não prejudicados com a paralisação nacional. Por se tratar de um prévio agendamento, a emissão de passaportes  nesse mês de agosto está garantida, porém a Polícia Federal em Sergipe (PF/SE) alerta para possíveis contratempos já a partir da primeira quinzena de setembro. Atualmente, a corporação atua apenas com 30% do efetivo, totalizando cerca de 130 agentes e técnicos em greve.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Policias Federais de Sergipe (Sinpefse), Durvalino Xavier, na reunião existia uma perspectiva positiva para resolver a série de reivindicações da categoria. Como o encontro não foi realizado, ele acha inviável a mudança no atual quadro de mobilizações. "Estávamos esperançosos para que esse impasse fosse resolvido e quem sabe a paralisação ser encerrada ainda essa semana após uma assembléia unificada com representantes de todos os estados brasileiros. Sendo assim iremos continuar de braços cruzados", pontuou. Com liberação da direção estadual, os manifestantes permanecem concentrados no pátio da corporação realizando pequenos atos pacíficos.

A categoria reivindica reestruturação da carreira da carreira dos agentes, escrivães e papiloscopistas, melhoria salarial e concursos para os cargos do plano especial de cargos (PEC). Visando chamar a atenção do Governo Federal, ações como a ‘Operação Padrão’, que resultou na revista individual de todas as bagagens, chegaram a incomodar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "A idéia era justamente essa. Conseguimos alcançar os nossos objetivos e a tendência agora é promover outros atos desse segmento caso os benefícios não sejam atribuídos", concluiu Durvalino Xavier. A nova reunião está marcada para as 8h de amanhã na sede do Ministério do Planejamento.

PRF – Seguindo acordo coletivo da Federação Nacional da Polícia Rodoviária Federal (FenaPRF), aproximadamente 130 policiais rodoviários, filiados ao Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais em Sergipe (Sinperf-SE), declararam adesão à greve nacional. Com a estimativa de permanecer até a próxima sexta-feira, 24, a paralisação está sendo realizada em diversos estados da federação com o intuito da categoria exigir reestruturação da carreira, aumento do efetivo, pagamento do adicional noturno e melhores condições de trabalho. Segundo declarações do presidente do Sinperf-SE, Dovercino Borges Neto, essa semana as blitz estão inviabilizadas e a companhia só irá atender a sinistros que registrem vítimas.

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