Servidores da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) voltaram a se reunir na manhã de ontem para protestar contra o projeto de lei que pretende privatizar a empresa através de uma parceria firmada entre o Governo do Estado de Sergipe e o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Reunidos em frente à sede da companhia, na rua Campo do Brito, em Aracaju, os manifestantes ocuparam parte da via e inviabilizaram as atividades trabalhistas como forma de pressionar o poder executivo a não seguir com a proposta. Apesar dos sucessivos atos públicos, a privatização da Deso segue em ritmo acelerado.
Isso ocorre em virtude de o Consórcio Sanear Brasil – vencedor do pregão eletrônico, administrado pelo próprio BNDES, encaminhar técnicos todas as terças-feiras à Sergipe com o propósito de estudar a companhia, recolher dados e supostamente dar início a criação do projeto de privatização que pode ser finalizado ainda no decorrer deste segundo semestre. De acordo com a direção do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e Serviços de Esgotos do Estado de Sergipe (Sindisan), é pública e notória o movimento realizado nos corredores e departamentos da Deso no sentido de acelerar o projeto.
O governo do Estado garante que existe apenas “um estudo feito pelo BNDES a pedido do governo federal que está fazendo o mesmo estudo em outros estados. Não há nada conclusivo nem o governo do estado sabe ainda o que vai dizer esse estudo. O governador Jackson Barreto mandou cancelar o estudo paralelo que o governo iria fazer e já disse em entrevistas que não tem a intenção de privatizar a Deso". Mesmo diante das informações, a classe trabalhadora garante seguir protestando até que o ‘fantasma da privatização’ seja arquivado em definitivo. O sindicato pede o apoio dos consumidores que, segundo o grupo, tende a ser os principais prejudicados.
"Essa luta não é apenas dos funcionários da Deso, é de todos nós porque os consumidores serão atingidos tão rapidamente quanto aos direitos trabalhistas de cada servidor. Para se ter ideia do acréscimo, atualmente a empresa estatal cobra uma tarifa mínima de R$ 33. Com a privatização a perspectiva é que esse valor seja reajustado em 200% e suba para R$ 99. Não podemos aceitar isso calado e nossas mobilizações continuarão", declarou o presidente sindical, Sérgio Passos. Durante o ato ele alegou ainda que em pelo menos 180 cidades do mundo a privatização das empresas de saneamento e abastecimento de água não renderam resultados favoráveis à população. (MAJ)


