Servidores da Saúde do Estado farão greve de três dias

Milton Alves Júinior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Servidores da Saúde vão parar as atividades nos próximos dias 22, 23 e 24 para cobrar a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), bem como recomposição salarial para as categorias. A greve geral que irá atingir todas as unidades de saúde, incluindo o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), serve como ação de repúdio ao não cumprimento de acordos firmados em encontros envolvendo gestores da Secretaria de Estado da Saúde, Planejamento e Fazenda junto aos líderes sindicais que lutam por direitos trabalhistas. Durante os três dias apenas 30% do efetivo estará atuando.

Com o propósito de inviabilizar impasses judiciais, assim como já ocorreu em movimentos grevistas passados, os sindicatos envolvidos na causa irão debater já nos próximos dias uma escala de plantão na qual será repassada para a SES e a Fundação Hospitalar de Saúde (FHS). No último dia 02, a classe articulou uma mobilização em frente ao Palácio dos Despachos, sede administrativa do governo estadual, quando as categorias realizaram panfletagens e diálogos juntos à sociedade sergipana, em especial os pacientes e acompanhantes, com o intuito de explicar o motivo do ato grevista. Ainda no movimento fora protocolado um documento oficial no qual comunicava o indicativo de greve caso os pleitos não fossem atendidos até a noite de ontem.

Com a paralisação previamente definida em assembleia, a expectativa agora é tentar garantir o apoio dos sergipanos para que juntem-se à causa dos servidores que se resume na qualificação da saúde pública e valorização dos trabalhadores. Para o condutor de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Edson Santos, é imprescindível que as definições acordadas em assembleia sejam cumpridas, independente de o governo apresentar, ou não, contrapropostas atraentes para os servidores. "Criou uma mania aqui em Sergipe de definir uma greve e faltando algumas horas o governo atende parte do que pedimos e fica por isso mesmo. Esse tempo todo ficamos sem resposta para essas duas reivindicações e precisamos pressionar o governador e os secretários", disse.
Shirley Morales, presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (Seese), alegou que, mesmo diante do atual cenário de dificuldades do país, os servidores estavam interessados em firmar acordos com a administração, porém, a ansiedade vivenciada até a noite de ontem à espera de uma contraproposta que, ao menos, agradece a maioria dos enfermeiros, foi mais uma vez vencida pelo desprezo. Sobre a criação de uma escala especial a ser seguida na greve, a sindicalista informou que o trabalho será promovido em conjunto e apresentada em curto prazo para o Governo.
"Iremos fazer também paralisações nos hospitais regionais, sendo que os que não puderem comparecer nesse ato irão ficar mobilizados em frente aos hospitais de sua lotação original. Por nosso lado, a promessa de uma escala dedicada ao movimento será respeitada e apresentada com antecedência", afirmou. Quanto à possibilidade de esta greve se transformar poro tempo indeterminado, Morales destacou que, a depender da postura a ser apresentada pelo Governo do Estado durante a paralisação, esta proposta deve ser levada para diálogo em assembleia. "Não podemos descartar a possibilidade de estender a greve; o que pode impedir isso é o governo finalmente atender as nossas reivindicações já bastante conhecidas por todos que atuam nesta gestão", pontuou a presidente.

Composição – Além dos enfermeiros e profissionais do Samu, a classe médica, nutricionista, e servidores de apoio operacional também estão unidos na luta pela implantação do PCCV, e regular recomposição salarial para todos. A paralisação também contará com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). Jorge Sampaio Reis, servidor público há 31 anos disse lamentar a falta de cumprimento de acordos. "O que mais deixa a gente triste e indignado é saber que o governador e o vice chamam a gente para conversar, mas não cumprem com o que foi acertado. Essa greve é necessária para mostrar que todos nós estamos unidos na luta pelos nossos direitos", destacou.

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