Milton Alves Júnior
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Profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) no município de São Cristóvão seguem de braços cruzados desde a última segunda-feira, 10, quando as categorias optaram por deflagrar greve geral e por tempo indeterminado. Segundo informações apresentadas pelo Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), a falta de condições de trabalho e precariedade do sistema de segurança contribuíram para a paralisação que atinge até 70% dos atendimentos. Os servidores se queixam ainda da estrutura precária das unidades, falta de pagamento das férias e da liberação de licença prêmio.
Os problemas enfrentados por médicos, enfermeiros, nutricionistas, agentes de combate a endemias e demais profissionais da área não cessam por aí. A direção sindical garante, também, que o salário referente ao mês de setembro segue atrasado e gerando problemas financeiros para as famílias dos funcionários. Sem diálogo e ações que minimizem a situação, a tendência dos servidores é de permanecer mobilizados até que os direitos trabalhistas sejam respeitados. O Ministério Público do Trabalho (MPT), já foi comunicado dos problemas.
De acordo com o sindicalista João Wadson, membro do Sintasa, diante da não regularização dos problemas, a suspensão parcial dos atendimentos segue em todos os postos de saúde instalados no município e que são financiados pela prefeitura de São Cristóvão. Até o início da noite de ontem não havia um registro de quantos pacientes foram prejudicados com a mobilização unificada, mas a perspectiva que é a população continue migrando para as unidades hospitalares instaladas em Aracaju. Na tarde de ontem o Jornal do Dia tentou conversar com os gestores da Secretaria de Saúde, mas a informação atribuída foi de que a administração participava de uma reunião a portas fechadas.
Problemas na Saúde também em Aracaju
Se o atendimento está precário nos postos de saúde de São Cristóvão, o mais recomendado no momento é realmente buscar assistência médica em hospitais da rede pública. O problema vivenciado na quarta cidade mais antiga do Brasil é o mesmo enfrentado por milhares de aracajuanos que, também, estão sem o devido atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento. Com os salários atrasados, profissionais de dez categorias seguem promovendo paralisações desde a segunda-feira da semana passada.
O pior é que a situação deve continuar ao menos até a próxima semana. Isso porque na tarde de ontem a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplog), apresentou atualização das secretarias e respectivos servidores que estavam recebendo os salários referentes a setembro; os funcionários da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não constavam na lista. Sem dinheiro na conta e permanência da crise administrativa vivenciada pelo governo João Alves Filho, os servidores garantem permanecer de braços cruzados.
Ao Jornal do Dia a enfermeira Alice Moraes lamentou a situação e apontou a falta de diálogo como principal motivo das sucessivas greves. Somente neste ano, os servidores da saúde atuantes em Aracaju suspenderam as ações trabalhistas por mais de oito vezes. "Se João Alves não atendeu a gente antes da eleição, imaginem agora que perdeu. Perdeu por causa da péssima gestão e da desvalorização proporcionada aos trabalhadores. Esse foi um dos piores governos municipais da história de Sergipe. Infelizmente de 2013 pra cá o profissional da saúde têm sido tratado assim: com descaso e desrespeito. Hoje já são 14 e não recebemos ainda", lamentou.
Enquanto o problema não é resolvido, cerca de quatro mil pessoas deixam de ser atendidas diariamente. Com o acúmulo de nove dias úteis sem atendimento, uma média de 36 mil pessoas já foram prejudicadas com esta greve.
São José – O serviço de assistência médica para pacientes do SUS no Hospital São José continua indisponível. Desde o início desta semana a unidade decidiu mais uma vez suspender os atendimentos devido a dívida milionária entre a Prefeitura de Aracaju e o HJS. Secundo cálculos da direção hospitalar, a dívida girava em torno de R$ 2 milhões e 150 mil. Após a deflagração de interrupção, a SMS conseguiu realizar um repasse de 500mil reais; a diretoria do hospital avalia a quantia como insuficiente para reiniciar os atendimentos. O problema se arrasta desde o final do ano passado.
Segundo a PMA, as secretarias de saúde e fazenda trabalham para obter verbas a serem destinadas ao HJS. Assim como foi dito na última terça-feira, a pasta municipal afirmou que continua aguardando mais repasses por parte da Secretaria de Estado da Saúde. Não existe prazo, ou perspectiva, de quando esta dívida deve ser quitada. Enquanto não há acordo, a população fica desassistida no Hospital São José.


