Um ato público alusivo aos 100 dias de greve foi realizado ontem por técnicos administrativos da Universidade Federal de Sergipe (UFS), na Rodovia Marechal Rondon, município de São Cristóvão, próximo à divisa com a capital sergipana, Aracaju. O movimento teve como propósito pressionar o governo para que seja aprovado o reajuste salarial linear de 27,3% de acordo as perspectivas da inflação, além de qualificar as atuais condições de trabalho e ampliação no quadrinho funcionários públicos diante de real aumento no número de vagas em concursos públicos. Paralelo à interrupção do fluxo de veículos que seguiam para as proximidades do bairro Rosa Elze, os grevistas também se uniram para impedir a entrada de veículos na instituição federal de ensino.
Por mais de 20 minutos os manifestantes ocuparam a via expressa e geraram um congestionamento superior a 2 km. Impacientes com o ato, dezenas de motoristas começaram a praticar manobras arriscadas, como transitar pela contramão, sobre ciclovias e calçadas, na tentativa de furar o bloqueio feito pelos servidores que diante da falta de contrapropostas satisfatórias, permanecem de braços cruzados por tempo indeterminado. Na opinião do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação da UFS (Sintufs), Lucas Gama Lima, a universidade enfrenta sérios problemas estruturais, inclusive no atual quadro de funcionários que hoje apresenta um déficit superior a mil servidores.
O sindicalista criticou o Governo Federal que, através do Ministério da Educação e do Ministério do Planejamento, apresentou uma contraproposta abusiva de uma reposição salarial de 21,3% parcelada em quatro anos. "Infelizmente a nossa situação é muito difícil aqui na universidade. Para se ter uma ideia das ações irregulares promovidas contra a classe trabalhadora e contra a própria educação pública federal, já houve corte até de energia neste ano na UFS, terceirizados foram demitidos e algumas obras de ampliação da universidade estão paralisadas há meses e sem previsão alguma de quando devem ser reiniciadas", afirmou. Desde o mês de maio, professores da rede também aderiram à greve e permanecem se ministrar atividades educacionais.
Diante do movimento grevista que conta com o apoio de 90% dos servidores que atuam nas unidades da UFS e Instituto Federal de Sergipe (IFS), mais de 30 mil estudantes continuam longe das salas de aula e retardando a conclusão dos respectivos cursos superiores. Apesar dos contratempos gerados durante a manifestação na rodovia, os grevistas aprovaram a atividade, já que diante do trânsito parado puderam distribuir panfletos informativos e dialogar com os motoristas e passageiros sobre a importância do movimento para o progresso do país. Sem acordo com o governo, Lucas Gama Lima garante que as mobilizações vão permanecer em ritmo acelerado em todos os municípios que possuem unidade da UFS. O próximo movimento grevista será realizado durante o Grito dos Excluídos, na próxima segunda-feira, 07, em Aracaju.
"Contamos com o apoio geral dos colegas servidores e com a contribuição de centenas de estudantes que, mesmo impossibilitados de participar das aulas, entendem que estamos nas ruas para qualificar nosso ensino superior e fazer valer os direitos constitucionais do trabalhador brasileiro. Se o Governo Federal continua dando as costas para o técnico administrativo, e para o professor universitário, não tem como suspender a greve", pontuou. Sobre a participação no Grito dos Excluídos a direção do Sintufs informou que este não será o primeiro ano em que participa da marcha. Os sindicalistas encontram no ‘Grito’ a oportunidade de ampliar o diálogo junto à sociedade e a pressão a deputados federais que possam comparecer ao desfile cívico.
Fiscalização – Durante o bloqueio da via, agentes da Companhia de Polícia Rodoviária (CPRv) foram encaminhados para o local com o objetivo de tentar minimizar o caos gerado. Por se tratar de uma manifestação realizada nas proximidades de divisa geográfica e que acabou prejudicando dois municípios, agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) também foram encaminhados para a região. Muitos condutores foram contra o ato. "Se querem se manifestar contra o governo, então que vão para a porta do governo e não para uma pista que milhares de pessoas precisam passar para ir ao trabalho, para casa, para hospitais. A manifestação perde um apoio maior de nós cidadãos pela falta de coerência nas atividades ideológicas", afirmou servidor público Antônio Batista.
Conforme apresentado pelas companhias de trânsito que atuaram na movimentação sindical, aproximadamente 15 multas foram aplicadas em motorista que dirigiram de forma irregular. Nenhum veículo foi apreendido. (Milton Alves Júnior)


