Servidores gerais do Estado aprovam paralisação a partir de 4 de fevereiro

Os servidores da área de Administração Geral do Governo do Estado vão entrar em greve por tempo indeterminado, a partir da próxima quinta-feira, dia 4. A decisão foi tomada em uma assembleia realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Públicos do Estado de Sergipe (Sintrase), ontem de manhã, na sede do Sindicato dos Bancários, no Centro. O motivo principal é a não implementação integral do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV), já aprovado há quase dois anos. O início foi marcado para a semana que vem, já que precisa ser respeitado o prazo legal de 72 horas para a comunicação da greve aos gestores do Estado.

Além do pedido pela implantação imediata do Plano, outras pautas estão inclusas na decisão que decretou a greve, como o pagamento da titulação (cuja criação da comissão já foi criada), reajuste da tabela do Plano em 24,31% (em virtude do índice inflacionário), pagamento da insalubridade para merendeiras, executores de serviços básicos e oficiais administrativos, concurso imediato para preenchimento de vagas na Administração Geral e retirada dos vigilantes terceirizados das escolas.

O Sintrase acredita que o movimento deve ser a segunda paralisação da Administração Geral em menos de um ano. A última greve, considerada a maior da história da categoria em Sergipe, foi realizada no segundo semestre de 2015 e durou mais de 60 dias.  "Até que o governo se posicione sobre o PCCV e avance nas negociações das outras pautas, respeitando os servidores e honrando, inclusive, o pagamento dos salários dentro do prazo estipulado por lei, a categoria vai continuar paralisada", afirmou o presidente do Sintrase, Diego Araujo, que declarou não haver no momento outra alternativa a não ser a pela greve por tempo indeterminado.

"A deflagração da greve também foi uma decisão tomada pela categoria por não concordar com os abusos realizados pelo Estado nos últimos meses, como o parcelamento do 13º e atrasos nos salários, que dificultou a situação de mais de 5 mil servidores que o Estado insiste ainda em pagar menos de um salário mínimo", explicou Diego. Devem ser paralisados a partir da próxima quinta os serviços oferecidos pelos órgãos estaduais nos Centros de Atendimento ao Cidadão (CEAC’s), além das atividades administrativas e operacionais das escolas estaduais, de secretarias e empresas públicas.

O impasse entre o governo estadual e os servidores da Administração Geral, que também receberam o apelido de "arraia-miúda", vem de muito tempo e já foi parar na Justiça. Após anos na briga pela aprovação do PCCV, mais de 10 mil servidores lutam agora pela implantação total do Plano, que foi aprovado em 2014, mas que, na prática, não beneficiou a categoria. "Temos um longo caminho de luta e mobilização pela implantação do Plano. Já dialogamos diretamente com secretários, sentamos com o governador e com membros da Procuradoria Geral do Estado (PGE) para avançar nas negociações e realizamos greves e paralisações em 2015, além de impetrarmos várias ações na justiça, como a suspensão de novas contratações pelo Estado de comissionados. Mas os avanços reais não ocorreram e a categoria tem pressa em resolver estas questões", disse o presidente.   

A última greve, considerada legal pela Justiça, mesmo com os pedidos de ilegalidade solicitados pelo Estado, foi encerrada pelos servidores para que o Estado cumprisse os acordos, entre eles, as decisões judiciais impetradas pelo sindicato. Porém, em protesto a não apresentação concreta no avanço das negociações, os servidores realizaram uma assembleia em novembro e resolveram parar suas atividades às quartas-feiras a partir de dezembro; paralisação esta que durou até a última quarta-feira, 13 de janeiro. "Não há como segurar um trabalhador; um servidor público que recebe menos de um salário e que ainda teve de sobreviver à irresponsabilidade do governo em receber seu 13º parcelado ou através de empréstimo", finalizou. 

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