Setor de ortopedia do Huse continua com problemas

Ainda não há data definida para que o problema do setor de ortopedia do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) seja resolvido. Faltam médicos especialistas e condições de trabalho na ortopedia pública sergipana.
De acordo com informações da direção do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), no Hospital Cirurgia há apenas o atendimento a monotrauma, os demais casos são encaminhados ao Huse.

O presidente do Sindimed, João Augusto Alves de Oliveira, informou que a semana iniciou sem novidades no tocante ao processo de demissão dos médicos ortopedistas, que ocorreu na semana passada. Sete especialistas já estão cumprindo aviso prévio e quatro estão decidindo se também irão solicitar demissão. "A falta de condição para trabalhar continua sendo um dos motivos para o pedido de demissão em massa", denuncia o médico.

O sindicalista diz ainda que nesse caso o Sindicato não tem como intervir na situação. "A decisão é individual e não coletiva, por isso não temos como interferir", informou João Augusto.
A superlotação e problemas de estrutura foram discutidos na última semana no Ministério Público, que determinou prazo de 48h para que a direção da unidade de saúde apresente a relação dos especialistas do setor de ortopedia e a carga horária de cada profissional.

Sobre denúncias da falta de atendimento na ortopedia no último final de semana, a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde informou que o Huse não recusa atendimento. O diretor técnico do Huse, Augusto César Esmeraldo, assegurou que em momento algum houve falta de ortopedista durante o fim de semana.

"O que acontece é que os ortopedistas podem estar em atendimento ou em cirurgia no momento em que um paciente chega sem regulação. Além disso, é preciso entender que em uma unidade de urgência e emergência o atendimento é por classificação de risco", afirma.

O diretor explica ainda que atualmente há horas de trabalho contratadas pelos ortopedistas do Huse suficientes para manter a escala de três profissionais no pronto-socorro e um no centro-cirúrgico. Quanto ao pedido de demissão, ele garante que não está havendo desassistência.

"Estamos com um mutirão em andamento que já realizou procedimentos ortopédicos em cerca de 400 pacientes, o que vem dando uma celeridade na fila de espera. Quando a atual gestão assumiu o comando do Huse, existia uma fila de 160 pacientes no aguardo do procedimento cirúrgico. Hoje, existe cerca de 50 pacientes eletivos que serão submetidos a cirurgias ortopédicas. E isso paralelo à chegada de novos pacientes e ao atendimento no pronto socorro", acrescenta o diretor técnico.

Paralelo ao mutirão, a demanda de cirurgias ortopédicas tem sido atendida também em outras unidades hospitalares, como no Hospital Regional de Lagarto e em Itabaiana e em instituições parceiras, como o Hospital Cirurgia. Ainda de acordo com César Esmeraldo, foi apresentada no final da tarde de ontem, segunda-feira, ao MP, a lista com o nome dos especialistas e a carga horária.

A sobrecarga no Huse, para o médico Augusto César Esmeraldo, acontece por conta do crescimento no número de acidentes, além da queda em idoso. "No Huse, que é o principal hospital para receber todos esses traumas, a sobrecarga de trabalho é grande".

Ele garante ainda que há entre 40 e 45 ortopedistas no hospital, espalhados no centro cirúrgico, enfermaria e ambulatório. "Com o passar do tempo, o serviço de ortopedia passou a absolver o serviço de ambulatório que seria dos municípios. Como não temos em todos os municípios um ortopedista disponível para fazer retorno, o Huse tem que disponibilizar parte da carga horária desses profissionais, para poder atender ao paciente que é operado e precisa fazer sua revisão", esclarece.

Ele disse ainda que além do atendimento ortopédico nos hospitais da rede, em breve haverá esses especialistas no Hospital Regional de Nossa Senhora do Socorro e no Hospital da Polícia Militar.
Tempo de espera – Na ortopedia existe as urgências ortopédicas. No caso de fratura exposta o atendimento é imediato e o procedimento exige estabilização do quadro e o preparo para a cirurgia imediata. "Para os monotraumas, temos na rede um acordo para que o Hospital Nestor Piva (Zona Norte), em Aracaju, encaminhe os casos para o Hospital Cirurgia".

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