Setor de pescado passa por lavagem

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Durante todo o dia de ontem o setor de pescados do Mercado Albano Franco, em Aracaju, foi interditado para comércio. O objetivo da interrupção era promover uma limpeza generalizada nos frigoríficos, corredores e bancadas utilizadas para comercializar os alimentos. Com a atividade, os vendedores deram lugar para agentes ligados à Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), que em posse de equipamentos e produtos de limpeza iniciaram o serviço por volta das 7h30. A ser realizada todas as segundas-feiras, dia considerado de pouco movimento de consumidores, muitos comerciantes aprovam a iniciativa da Prefeitura de Aracaju.

Esse é o caso do vendedor José dos Santos, que torce para que melhorias sejam destinadas ao local. Para ele, com uma limpeza sendo realizada frequentemente, a possibilidade de roedores e insetos se alojarem no espaço é pouca. "Ratos a gente até encontra, mas são raras as vezes, já barata, aí está o problema. Alguns técnicos da prefeitura estiveram aqui e pelas palavras deles, acredito que uma reforma logo em breve será realizada e vai agradar a todos", afirmou. Devido a precariedade do local, o Ministério Público Estadual já ajuizou uma ação civil pública contra o município exigindo melhorias.

Culpando o governo anterior quanto a situação do setor, José ainda disse que o problema só está generalizado por falta de vistorias mais severas que deveriam ser promovidas por órgãos de fiscalização nos últimos anos. "Sabemos que antes tarde do que nunca, mas essa ação do MPE já deveria ter sido feita nos últimos oito anos. Nos abandonaram e agora a nova administração municipal terá que atuar intensamente para reparar os erros", pontuou. Com a interrupção, mais de 40 comerciantes deixaram de trabalhar no dia de ontem.

Em controvérsia ao posicionamento do comerciante, a cliente Bianca Reis disse que já presenciou atitudes irregulares feitas pelos próprios vendedores. "Como é que ele pode alegar que a culpa é do prefeito anterior se eu mesma já presenciei vendedor derrubando peixe no chão, depois apanhando e botando novamente na banca sem sequer lavá-lo? Infelizmente a mania de muitos é olhar para os problemas dos outros, e não para as próprias irregularidades", disse. Questionada se compra marisco no mercado, Reis foi enfática na resposta:
"Não mesmo! Eu só volto a comprar peixe ou camarão aqui quando perceber que esse espaço melhorou 500%, caso contrário permaneço comprando em um açougue de confiança perto da minha casa porque até os supermercados estão apresentando falta de higiene", concluiu.

De acordo com informações apresentadas pela Prefeitura de Aracaju, uma empresa terceirizada será contratada para fazer a limpeza nos mercados centrais de Aracaju. A empresa receberá quase R$ 4 milhões por ano, o que corresponde a 300 mil por mês. A medida integra ações adotadas pela Emsurb para tentar se adequar às exigências do Ministério Público, evitando a interdição dos mercados.

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