Fiscalizar o cumprimento do acordo de trabalho e desenvolver ações para qualificar os trabalhadores da construção civil. Estas são algumas das propostas de Raimundo Reis, novo presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Sergipe (Sintracon/SE). Nesta entrevista ele diz que o principal problema da categoria que dirige "era a falta de um sindicato combativo".
JORNAL DO DIA – Qual a estratégia usada pela chapa que o senhor liderou para derrotar uma estrutura que mandava no Sintracon/SE há 20 anos?
RAIMUNDO REIS – Nós só mostramos aos trabalhadores o que eles perderam em avanços enquanto categoria na gestão anterior. Também discutimos com os trabalhadores da constrição civil sobre os rumos que tomaríamos se eleitos para garantir novas coquistas. Felizmente a categoria entendeu e acreditou em nossas propostas e derrotamos o passado.
JD – É verdade que tentaram dificultar a ida dos trabalhadores da construção civil às urnas?
RR – Não podemos afirmar que isso aconteceu, mais nos causou estranheza algumas empresas de construção civil da capital anunciarem que iriam dar folga aos trabalhadores um dia antes da eleição. O que realmente nos deixou assustados foi o fato de algumas empresas do interior, a exemplo de Itabaiana, Lagarto e Estância, terem colocado ônibus à disposição dos colaboradores que desejavam votar em Aracaju. Foram tão boazinhas que bancaram todo o custo da viagem. É ou não para desconfiar de um comportamento como este?
JD – Quais serão as primeiras providências da nova diretoria do Sindicato?
RR – Encontramos um sindicato desestruturado, sem qualquer logística física e operacional. A princípio estamos buscando resolver estes problemas para em seguida colocar em pratica o nosso plano de representação dos trabalhadores.
JD – O ex-presidente do Sintracon/SE, Jaime Umbelino, tinha um ótimo relacionamento com as empresas de construção civil. Como será a sua relação com as construtoras?
RR – Não temos nada contra os empresários do setor muito, pelo contrario. Desejamos que as empresas cresçam e gerem mais empregos, porém entendemos que isso tem que ser feito com responsabilidade social. O que a gente ver na imprensa são empresas da construção civil financiando obras sociais, ajudando entidades filantrópilicas. Achamos tudo ótimo, só que essa bondade não é presenciada nos canteiros de obras. Seguramente vamos exigir que as construtoras cumpram as normas de segurança e que se integrem a agenda do trabalho pautada pelo governo federal.
JD – O senhor e demais diretores do sindicato pretendem ampliar o número de associados, principalmente atraindo os trabalhadores do interior?
RR – Claro, pois sindicato forte significa categoria forte.
JD – Qual a sua avaliação do salário pago hoje em Sergipe aos trabalhadores da construção civil?
RR – Temos o entendimento que o setor de construção civil é o que mais cresse no país. Portanto, quando comparamos os salários dos mesmos profissionais que trabalham em outros estados verificamos que a categoria em Sergipe está bem atrás. E olha que quando falo em defasagem estou falando de salários e de respeito as cláusulas sociais.
JD – O Sindicato pretende desenvolver algum trabalho visando qualificar os associados?
RR – Sim. A nossa proposta é firmar convênios com instituições de formação profissional visando facilitar a qualificação da categoria. Pretendemos investir forte também na requalificação dos trabalhadores.
JD – Quais os principais problemas enfrentados hoje pelos trabalhadores da construção civil de Sergipe?
RR – O maior deles era a falta de um sindicato combativo, que implementasse ações fiscais para garantir os direitos básicos dos trabalhadores.


