Sinfonia de pardais

As vias públicas da capital sergipana estão prestes a servir de palco para uma verdadeira sinfonia de pardais. De acordo com a SMTT, 80 novos sensores medidores de velocidade serão instalados nas ruas de Aracaju durante os próximos 30 dias. Deve ajudar a frear o ímpeto dos mais apressadinhos, mas não abarca todos os problemas relacionados ao trânsito na cidade.

Educar os motoristas e fazê-los respeitar as regras de trânsito e os limites de velocidade – inclusive por meio da aplicação de multas, quando necessário. Para humanizar o trânsito da capital sergipana, contudo, vai ser preciso muito mais do que penalizar os bolsos do contribuinte.

 Não é a primeira vez que o expediente da fiscalização eletrônica é adotado pelo poder municipal. As suspeitas que sucederam todas as licitações destinadas à contratação de empresa para implementar e gerenciar o sistema, no entanto, jogam uma sombra de dúvidas sobre a sua real finalidade. Em março de 2011, ainda durante a gestão do prefeito Edvaldo Nogueira, o Tribunal de Contas do Estado determinou a suspensão dos contratos firmados entre a SMTT e as empresas Splice e Eliseu Kopp, que operavam o serviço em Aracaju. Um processo de licitação chegou a ser reaberto para a escolha de nova empresa e se arrastou até ser retomado por João Alves, mas acabou arquivado.

Se os argumentos que sinalizam para a existência de uma indústria de multas perdem a força quando confrontados com a letra impassível da lei – quem não deve não teme, afinal – é preciso reconhecer, ao mesmo tempo, que não basta conter a ânsia dos motoristas. Além de sinalizar as vias públicas e atuar com mais firmeza na fiscalização dos excessos, é preciso promover alternativas mais inteligentes de mobilidade. Sozinha, a multa não resolve nada.

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