Os professores da rede estadual não reiniciam as atividades presenciais na próxima terça-feira (17). Apesar de o governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc), ter anunciado na manhã de ontem que as unidades escolares retornariam às aulas in loco, horas depois, já no final da tarde em assembleia geral – e virtual -, a classe trabalhadora deliberou pela manutenção dos serviços com educação à distância até que todos os educadores estejam vacinados. Os profissionais destacaram ainda que esse retorno às dependências internas das escolas deve ocorrer 15 dias após os educadores terem recebido a segunda dose da vacina contra a Covid-19.
Conforme já destacado pelo JORNAL DO DIA, a conclusão do processo de aplicação envolvendo a segunda dose do imunizante para a classe trabalhadora está prevista para até a segunda quinzena do próximo mês de setembro. Sendo assim, a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese), em contraponto aos interesses administrativos da Seduc, anuncia que os professores não irão restabelecer as aulas presenciais na semana que vem. A greve, denominada ‘em defesa da vida’, também atinge todas as unidades administradas pelo poder público municipal em 74 cidade sergipanas. A exceção fica por conta das escolas municipais instaladas na capital sergipana; os professores são filiados ao Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município de Aracaju (Sindipema).
A presidente do Sintese, Ivonete Cruz, informou ainda que no dia 18 – um dia após a data definida pelo governo para que as aulas fossem retomadas -, haverá um ato público com concentração em frente à Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), na região central de Aracaju. Agendada para às 08h, a mobilização defende ainda pela revogação do desconto de 14% nas aposentadorias e pensão. "Os professores e professoras continuam em greve em defesa da vida e só voltaremos quando as condições mínimas forem garantidas que são elas: imunização completa dos trabalhadores da educação, condições pedagógicas e sanitárias das escolas. Enquanto isso não for garantido permaneceremos em greve", declarou. No turno da tarde, às 15h, os professores se reúnem na Praça General Valadão.
Perspectiva – Pelo governo de Sergipe foi dito que: "o Ensino Híbrido entra em cena no sistema de ensino como uma metodologia que ampara tanto as aulas presenciais quanto as não presenciais (remotas), possibilitando a aprendizagem em qualquer ambiente. Na sala de aula, o ensino presencial retomará a tradicional dobradinha professor e aluno no desenvolvimento das habilidades essenciais curriculares. A utilização dos recursos digitais permitirá a aprendizagem de modo a buscar autonomia e a estimular o protagonismo no próprio processo de aprendizagem, individualmente ou de forma coletiva, durante as aulas remotas." Ainda sobre esse assunto, a secretaria destacou que, assim como as escolas de Ensino Integral, as demais unidades educacionais da Rede Pública de Ensino de Sergipe, que totalizam 324, terão o ensino híbrido.
Essa medida funcional, segundo a Seduc, tem como disponibilizar apoio complementar às aulas presenciais conforme a necessidade e dinâmica de cada uma dessas unidades. No mesmo comunicado emitido pela Seduc, a administração estadual havia destacado o trabalho de prevenção e proteção da comunidade escolar contra a Covid-19. "O retorno às aulas presenciais envolve procedimentos de biossegurança e pedagógicos, disponíveis no Portal e Aplicativo Estude em Casa da Seduc. No âmbito das 58 escolas de ensino médio em tempo integral, as recomendações complementares perpassam sobre a divisão da carga horária presencial e remota, distribuição de aulas, como fica a parte diversificada, práticas educativas, acompanhamento, entre outras orientações", destacou.
"Ainda estamos em pandemia, a maior parte da população ainda não está imunizada, por isso não podemos naturalizar um retorno as aulas presenciais nas escolas públicas. Nossa luta é em defesa da vida e não somente a nossa, mas dos demais trabalhadores e trabalhadoras das escolas, dos estudantes e das famílias. Não há como voltarmos as aulas presenciais no cenário que está posto; continuaremos na resistência e ministrando as aulas remotas até que tenhamos as condições para retorno", completou Ivonete Cruz. Até o início da noite de ontem o governo de Sergipe não havia se manifestado de forma oficial sobre a deliberação dos professores. Uma contabilidade apresentada no início deste ano pela Seduc mostra que Sergipe possui 160.598 alunos matriculados.

