* Lelê Teles
Um dia, um jovem sonhou que podia mudar a vida das pessoas no lugar onde vivia. Um pequeno estado comandado por uma oligarquia predadora. E o sonho dele não era desses sonhos que se sonha só. Determinado, juntou os amigos, fundou um partido e partiu para a realização.
Tornou-se deputado estadual e federal. Então, o povo o elegeu prefeito de Aracaju, com apenas 40 anos.
No coração dessa capital em que os ricos comemoram aniversário em Paris ou no Copacabana Palace, tinha uma favela. Dentro do mangue coberto por dejetos humanos, milhares de famílias equilibravam suas vidas miseráveis em toscas palafitas.
Mas ninguém se importava.
Marcelo Déda se importou. Cadastrou as famílias e construiu um bairro com asfalto, energia elétrica e casa de alvenaria para os que estavam abandonados pelo poder público. Esses favelados deixaram de ser deficientes cívicos e passaram então a ser cidadãos.
Com isso, o jovem político mostrava uma inversão de prioridades, primeiro os pobres. E foi tocando obras por toda a cidade. Durante a sua gestão, a capital de todos os sergipanos recebeu o título de Cidade Brasileira da Qualidade de Vida, epíteto por demais eloquente.
O aracajuano se encheu de orgulho.
Ato contínuo, o povo o elegeu governador, no primeiro turno e, satisfeitos com o seu trabalho, o reelegeu em seguida. E Sergipe mudou.
Hoje o estado tem uma das melhores infraestruturas hospitalares do Brasil. Com 75 municípios, o governo já inaugurou 86 Clínicas de Saúde da Família que são modelo de unidade de saúde e ainda construiu e reabriu hospitais no interior e na Grande Aracaju.
Hoje, Sergipe é o estado que mais investe em saúde e meio ambiente no nordeste, o estado bate recordes em geração de empregos e tem um crescimento econômico acima da média nacional.
O homem criou programas para mitigar o problema da seca, protegeu o pequeno agricultor e fez uma exemplar reforma agrária no estado, sem conflitos, sem violência. Abriu estradas, construiu pontes e criou um caminho de progresso em todo o estado; os turistas não param de chegar, e são cada vez mais numerosos.
Sergipe deixou de ser o patinho feio e o sergipano, de autoestima elevada, passou a ter orgulho do seu lugar.
Um dia, os anjos de luz vieram à terra e o levaram para outra dimensão. A seu vice, Jackson Barreto, Déda confiou, antes de partir, a missão de continuar sua obra.
Essa é a primeira eleição majoritária em uma década sem a presença física, vibrante e apaixonada do grande líder. Mas sua obra continua viva, suas ideias seguem inspirando o seu grupo, seus valores são defendidos por seus correligionários, sua visão de mundo prevalece.
Seu legado é uma conquista de todo o povo sergipano.
Por isso, sua imagem segue sendo projetada. É uma homenagem a um homem público que nunca se escondeu do povo e que é um exemplo para todos. Sua chama continua acesa, sua imagem está em santinhos, em banners de palanques, em programas de TV.
A oposição acha que isso é oportunismo, morbidez, desrespeito. Acham que respeitar a história de um homem público é encerrá-la em um caixão e deixá-la lá para a eternidade.
Estão enganados. Esses mortos-vivos têm como símbolo o dinheiro, tem como inspiração a pilhagem, a rapinagem, as velhas práticas da oligarquia de outrora. Uns falam sempre em Jesus Cristo, aquele cara que, como se sabe, também morreu e, de acordo com a lógica tosca destes senhores, deveria ser esquecido.
Déda é o orgulho dos sergipanos. Jamais será esquecido, por tudo que fez, e deve sempre ser lembrado por aqueles que seguem o seu exemplo. Para desespero dos que vibravam pensando que o sonho acabaria, resta uma afirmação inarredável: Déda estará sempre presente.
* Lelê Teles é jornalista e roteirista


