A quem pertence o legado do "Padrão Felipão"?

* José Eloízio da Costa

Após o desastre da seleção canarinho, os abutres da mídia nativa, inclusive da mídia local, tentam a todo custo associar a incompetência e a arrogância de Felipe Scolari com o processo político em curso, extraindo, sem contextualizar, que a presidente Dilma teria dito o ano passado que seu "governo é padrão Felipão". Nada mais injusto tal assertiva. Além da presidente ter focado, que, naquele momento, o processo era bem diverso em relação ao quadro desastroso da seleção na Copa.

O que mais irrita é que essa mídia, que integra o PIG (Partido da Imprensa Golpista), interpreta os fatos sob o foco de buscar desmoralizar a presidente Dilma. Não importa como. Chegou ao ponto de associar a desmoralização da presidente caso entregasse a taça aos argentinos. Tenha santa paciência. Pregaram o caos antes da copa, não houve. Quando a seleção estava "embalada" disseram que a presidente aproveitava politicamente. Mentira. Depois do desastre, associam Dilma ao padrão Felipão. Golpismo mais descarado e baixo.

A crucificação midiática anti-PT, depois da Copa, certamente será uma das mais terríveis e dramáticas e comporão a campanha presidencial. E iniciaram com o "padrão Felipão". O que a PIG esquece é que o tal padrão que a Dilma afirmou, foi rechaçado pelo presidenciável Aécio Neves, em defesa de Felipão.
Em artigo escrito na edição de 8/7/13, na Folha de S. Paulo, o candidato do PSDB assim rebateu: "A presidente Dilma Roussef cometeu enorme injustiça com o técnico Luiz Felipe Scolari, ao dizer que seu governo tem um padrão Felipão. Foi uma comparação infeliz, já que nada os "times" se assemelham. A primeira grande diferença é que Felipão convocaria os melhores, e não os mais próximos ou mais amigos". Observe a contundência da defesa do ex-técnico feito pelo candidato tucano, desprezando a presidente e afirmando a competência do "técnico da motivação", que desprezou esquemas táticos, treinamento e de desconhecer seus adversários, e deu no que deu.

Para tornar o corolário em "desagravo" a Felipão, assim Aécio se define quando compara o exercício do governo com os esquemas do futebol: "se introduzido como paradigma da administração pública, o padrão Felipão mudaria importantes prioridades do governo logo no início, certamente armaria uma defesa intransponível contra a inflação… Exemplo, como o do técnico são preciosos quando ultrapassam a fronteira do utilitarismo e da apropriação indevida e incorporam valores como qualidade, espírito de equipe e conveniência em torno de causas comuns. Sem esquecer o mais importante: o Brasil em primeiro lugar. E de "fiel e leal" em seu trabalho.

É incrível o endeusamento que o presidenciável destila em defesa do ex-técnico, inclusive com qualidades, de "escutar quem pensa diferente", que não conta vitória antes do jogo e qualidades com flexibilidade e até mesmo, nas entrelinhas, da concepção "moderna do futebol". O que assistimos nos jogos finais da Copa foi a prova explícita da falência do futebol brasileira, sendo Scolari um de seus principais protagonistas. E as qualidades explicitadas pelo presidenciável foram todas provadas em contrário.
E para completar o absurdo, ainda temos a máxima hilária: "(Felipão) não é um técnico, vamos combinar, é um estadista".

O padrão Felipão não pode estar associada à Dilma, afinal quem mais defendeu apaixonadamente Felipão foi o presidenciável Aécio Neves. Em tempo: essa análise foi lembrada pelo colunista Paulo Moreira Leite, articulista da revista Istoé e merece nossa análise face á determinados padrões jornalísticos da mídia local que integra o PIG tão bem conhecido.

* José Eloízio da Costa é professor do Departamento e da Pós-Graduação da Geografia da UFS.

Compartilhe esta notícia