A Secretaria da Seguran ça Pública (SSP) confir mou ontem os dados divulgados na semana passada pela Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (CEACrim), que fecharam as estatísticas de homicídios de 2019 e confirmaram uma forte queda no número de ocorrências. Em três anos, foi registrada uma redução de 41,3% na incidência de homicídios em todo o estado. Apenas na capital, essa redução foi de 58,9%. No ano passado, foram 799 mortes violentas intencionais, contra 986 em 2018 e 1.306 em 2016. Com esses resultados, a taxa de homicídios do estado era de 57 mortes para 100 mil habitantes em 2016 e caiu para 33 em 2019.
Mais especificamente entre os tipos de crimes, quando o recorte são os homicídios, foram contabilizados 767 casos no ano passado, ao passo em que em 2018 esse número foi de 948 ocorrências; representando uma redução de 19,1%. Ainda nos índices referentes aos homicídios, nas demais cidades que formam a Região Metropolitana (Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão), o levantamento da CEACrim apresentou uma queda de 22,2% entre os números obtidos em 2019 e 2018, e em análise com o ano de 2016, a retração foi de 47,1%. E no interior, foram reduções consecutivas de 26,8% (entre 2016 e 2019), de 14,8% (2017 e 2019), e de 5,6% (2018 e 2019).
O diretor da CEACrim, Sidney Teles, detalhou as reduções que vem ocorrendo anualmente. "Nosso melhor mês foi o de agosto e o nosso pior, novembro. Tivemos uma média mensal de 64 casos de homicídios dolosos em 2019. Em nenhum mês nós passamos do número de 100, o que em 2016 acabou sendo um marco para nós, todo mês passávamos de 100 casos. Em 2019, tivemos uma média diária de mais ou menos dois casos por dia. É um marco histórico de redução por três anos seguidos. Desde que temos catalogados, isso não havia acontecido antes", pontuou.
Os dados são obtidos através de uma metodologia que acompanha diretamente o registro das mortes violentas no Instituto Médico Legal, apontando como cada crime aconteceu. Sidney explica que as informações do IML são cruzadas com os boletins de ocorrência (exigidos para a liberação dos corpos) e os relatórios de investigação das equipes policiais de campo. E tais informações são condensadas em manchas criminais e usadas para a planejar as ações das delegacias e batalhões de área da polícia. "Com essas manchas criminais na capital, trabalhamos isso de forma mensal e diária para as reuniões com os coordenadores de área. Mostramos oque aconteceu durante o mês naquele bairro, naquela área, relatamos os homicídios e traçamos uma estratégia para diminuir esses índices. Essa redução significativa na capital se deve ao controle imediato que fazemos desses crimes", disse.
A delegada geral de Polícia Civil, Katarina Feitoza, considerou que a queda na criminalidade foi boa e reflete o trabalho integrado das polícias, mas não é o suficiente. Ela admitiu a necessidade de reforçar as equipes de agentes e escrivães nas delegacias, para trabalhar mais as investigações contra crimes ligados ao tráfico de drogas, de segundo estudos da própria Civil, são responsáveis por cerca de 90% dos homicídios do Estado. Katarina admitiu a possibilidade de abertura de um concurso público para a contratação de mais policiais, o que está sendo estudado junto ao Palácio de Despachos.
Por sua parte, a Polícia Militar está formando 300 novos soldados aprovados no último concurso e que, após concluírem o Curso de Formação, devem ser incorporados em breve ao trabalho de rua. O comandante geral da PM, coronel Marcony Cabral, diz que eles serão empregados nas ruas com planejamento e estratégia.


