SSP não tem pistas dos assassinos de delegado; Adepol oferece R$ 30 mil

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Ainda sob o choque causado pelo assassinato do delegado de polícia Ademir da Silva Melo Júnior, 37 anos, morto a tiros na noite desta segunda-feira na Alameda das Árvores, bairro Luzia (zona sul de Aracaju), a Secretaria da Segurança Pública (SSP) ainda tem poucas pistas sobre a autoria do crime, mas já começou a trabalhar com força nas investigações. Ontem, a Polícia Civil confirmou que o caso será apurado pelas equipes dos delegados Jonathas Evangelista, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e João Eloy de Menezes, do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), contando ainda com o apoio de todas as unidades das polícias Civil e Militar.

O anúncio foi feito pela manhã, em entrevista coletiva na sede da SSP, pelo delegado-geral Alessandro Vieira. Questionado sobre as primeiras informações levantadas, ele frisou várias vezes que nenhuma hipótese para o motivo do crime será descartada nesta fase. "É prematuro fazer qualquer tipo de afirmação com relação às linhas de investigação. É um início de trabalho, ele será conduzido pelos mais profissionais competentes que temos à disposição. Neste momento, todos os fatos podem ser considerados e, a partir da identificação de fatos, dinâmicas, testemunhos e provas técnicas que serão colhidas, é que iremos afunilar a investigação", garantiu o delegado.

Entre as principais hipóteses consideradas sobre a morte do delegado, destacaram se duas: tentativa de assalto ou execução premeditada. Sobre a possibilidade de relação do crime com a atuação profissional de Ademir ou a da esposa dele, a promotora de justiça Caroline Leão Nogueira Melo, o delegado-geral disse que os casos onde eles atuaram foram levantados pela polícia e, até o momento, não foi registrado nenhum histórico de ameaças.  "Podemos adiantar que o delegado Ademir tinha um perfil muito pacífico, era uma pessoa muito tranquila no trato [com os outros], e vinha exercendo a função de delegado plantonista, ou seja, não tocava investigações e nem participava de operações de grande relevo nos últimos meses. Mas é prematuro fechar linha de investigação", falou Alessandro, ao ser perguntado sobre uma suposta represália por parte de criminosos.

A polícia já recolheu imagens feitas pelas câmeras de segurança dos condomínios e lojas situadas no entorno do local do crime. A expectativa é de que elas ajudem na identificação do assassino. As gravações ainda passam por um tratamento de qualidade de imagem antes de serem divulgadas. Depoimentos de testemunhas também já começaram a ser ouvidos.
Os investigadores já sabem que a morte do policial teve a participação direta de um único atirador, que usava um capacete, estava armado com um revólver calibre 38 e fugiu em uma moto de cor preta que estava estacionada no outro lado da avenida. O criminoso estaria parado em uma esquina próxima a um condomínio e aguardava a chegada de Ademir, que estava de folga e voltava de um passeio com o cachorro. Três tiros foram disparados e atingiram o delegado, que foi socorrido por dois agentes do Cope e morreu pouco depois de dar entrada no Hospital Primavera, no Jardins (zona sul).  

Enterro – O corpo de Ademir foi enterrado por volta das 16h30 de ontem no Cemitério Colina da Saudade, no Santa Lúcia (zona oeste), onde o velório começou de madrugada e se estendeu por todo o dia. Durante o sepultamento, ele foi homenageado com uma salva de 21 tiros disparados por agentes do Grupo Especial de Repressão e Buscas (Gerb). Além de amigos e parentes, os funerais foram acompanhados por policiais, promotores, advogados e outros colegas de profissão, além do secretário da SSP, João Batista Santos Júnior. Todos ainda estavam chocados e incrédulos com a morte violenta do delegado, considerado um dos melhores profissionais da Polícia Civil, na qual tinha 10 anos de carreira.

"Estamos muito consternados com a dor da perda de um delegado excepcional. Um grande amigo, um grande colega, uma pessoa reta e proba, que foi ceifada de uma forma violenta e covarde. O que a SSP tem a dizer para a sociedade sergipana é que nós não vamos descansar enquanto não chegarmos à autoria e ao que realmente aconteceu em relação ao fato. Isso é uma questão de honra da Secretaria da Segurança, da Polícia Civil e da Polícia Militar, que estão trabalhando diuturnamente. Respeitamos a dor da família de Ademir e também da família policial, porque esse crime mexeu com toda a polícia", afirmou Batista.
Qualquer informação sobre a morte do delegado Ademir Melo pode ser repassada em ligação para o Disque Denúncia (181) ou pelo aplicativo Disque Denúncia SE, que pode ser baixado nas lojas virtuais de aparelhos celulares com sistema Android. O denunciante não precisa se identificar.

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