Os empresários do setor de segurança privada foram recebidos ontem de manhã pela cúpula da Secretaria de Segurança Pública (SSP), com quem discutiu a recente onda de roubos e furtos de armas usadas por vigilantes. O secretário João Eloy de Menezes recebeu em seu gabinete uma comissão liderada pelo presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de Sergipe (Sindesp/SE), Marco Aurélio Pinheiro Tarquínio. O assunto foi abordado pelo JORNAL DO DIA em sua edição do domingo passado.
O encontro serviu para a elaboração de um planejamento de segurança que vise coibir a ação de criminosos contra os vigilantes. Na oportunidade, os representantes do setor de segurança privada apontaram sugestões para a formatação das ações por parte da SSP. "Estamos repassando à cúpula da SSP um leque de sugestões e sem sombra de dúvidas acreditamos que o trabalho da polícia irá fazer com que os números de ocorrências dessa natureza diminuam. Avaliamos o encontro como positivo", destacou Tarquínio.
A promessa da polícia, segundo João Eloy, é "trabalhar para que os índices de roubos de armas de vigilantes tenham uma queda". O sindicato das empresas já contabiliza 45 armas roubadas desde o início do ano. Em um destes assaltos, no dia 20 de agosto, o vigilante Cléber Antonio dos Santos, 43 anos, foi assassinado por dois bandidos que tentaram roubar sua arma em uma loja do grupo Cimavel na BR-101, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Um dos criminosos também morreu e o outro permanece foragido.
Durante a reunião, foram traçadas algumas ações de combate a essa modalidade criminosa que serão colocadas em prática de imediato. Uma das iniciativas diz respeito à troca de informações entre a polícia e os representantes de classe, informando principalmente as principais áreas de risco de atuação dos vigilantes. Para isso, segundo o secretário, serão levantados todos os locais na capital com a presença de vigilância armada. Foi discutido também o desarmamento, no período da noite, dos vigilantes que estejam escalados nas áreas mais perigosas, bem como em locais que efetivamente eles não estejam desenvolvendo suas funções.
Para João Eloy, o crescimento das ocorrências de roubo de armas de fogo de vigilantes em Sergipe se deu graças à intensificação de apreensão de armas por parte das Polícias Civil e Militar. "Para se ter uma ideia, de 2009 a 2012 nossas forças policiais apreenderam mais de 4.500 armas de fogo. Com isso, os bandidos estão mirando as armas utilizadas pelos vigilantes, chegando aos estabelecimentos só para levar o armamento sem anunciar o assalto. O principal objetivo hoje dos bandidos é a arma", salientou o secretário.
A SSP informou ainda que existe uma lei estadual prevendo a gratificação de policiais civis e militares que apreendem armas de fogo. O valor pago por arma apreendida, hoje de R$ 400, é rateado entre os integrantes da guarnição policial que efetuou a apreensão do armamento. O Sindesp já anunciou que pretende pagar mais R$ 400 de recompensa aos policiais que apreenderem armas pertencentes às empresas de vigilância.


