Subtenente da PM é baleado de raspão em assalto

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Mais um policial militar foi ferido em uma tentativa de assalto em Aracaju. O subtenente Samuel Evangelista de Almeida, lotado no 1º Batalhão de Polícia Comunitária (1º BPCom), levou um tiro de raspão após reagir à abordagem de dois bandidos que tentaram levar pertences dele. O incidente deu-se por volta das 20h desta sexta-feira, em frente a uma farmácia na Avenida Adélia Franco, bairro Grageru (zona sul da capital). No confronto, um dos criminosos também foi atingido na barriga, mas não foi encontrado em nenhum hospital ou pronto-socorro até a manhã de ontem.
Segundo o tenente-coronel Wiliam Vasconcelos, adjunto de relações-públicas da Polícia Militar, Evangelista tinha acabado de sair do serviço, e dirigia seu carro, um Fiat Siena. Ao parar em um semáforo, os bandidos se aproximaram em um Hyundai i30 de cor preta, apontaram-lhe uma arma e anunciaram o assalto. "Eles gritaram para que ele [Samuel] passasse o celular, a carteira e os outros pertences. Só que, quando um dos meliantes se aproximou para pegar os objetos, o policial reagiu e segurou o indivíduo para prendê-lo. E foi nesse momento em que, para se desvencilhar, ele atirou no subtenente e foi atingido por ele", explicou Vasconcelos.
Os dois criminosos fugiram sem levar nada. Evangelista, por sua vez, foi atingido em uma das mãos. Um dos dedos chegou a ser fraturado e um dos estilhaços da bala do criminoso acertou o tórax do militar, mas sem gravidade. A própria vítima acionou as equipes do batalhão que estavam de serviço e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que enviou uma ambulância e atendeu ao paciente no próprio local. "Como o subtenente é um profissional operacional, combatente, que tem experiência nesse tipo de ocorrência com confrontos, ele soube exatamente o que fazer naquele momento em que foi ferido. Depois do atendimento, ele foi logo para casa e passa bem", informou o porta-voz.
Soldados do próprio 1º BPCom e de outros batalhões, incluindo o Comando de Policiamento Militar da Capital (CPMC), fizeram buscas pelos dois criminosos durante toda a madrugada e conseguiram a placa do Hyundai – mas não a divulgaram, por estratégia de investigação. Como um dos criminosos foi ferido na barriga, todos os hospitais e prontos-socorros foram avisados sobre a possível entrada de homens feridos por arma de fogo, mas, de acordo com William, nenhum suspeito foi atendido. Apesar disso, o tenente-coronel garante que a prisão dos criminosos "é uma questão de tempo" e vai acontecer a qualquer momento, "assim como em todos os casos de criminosos que perpetraram contra os nossos policiais".

Coincidência – Este foi o quinto caso de policiais baleados em ocorrências no ano de 2016, com saldo de três feridos e dois mortos. A vítima fatal mais recente foi o cabo Joeliton dos Santos, 47 anos, do 1º BPCom, que morreu na Terça-Feira de Carnaval, em uma troca de tiros com traficantes no bairro São Conrado (zona sul). Ele morava numa rua onde acontecia a apresentação de um grupo de pagode, quando os criminosos dispararam contra rivais que acompanhavam a apresentação. O militar, que estava de folga, reagiu ao ataque e levou vários tiros. Três autores do ataque foram presos – sendo um baleado pelo cabo – e outros quatro envolvidos foram identificados.
O coronel William deixou claro ainda que as últimas ocorrências contra policiais, em geral, não são ataques deliberados contra a corporação, mas sim "coincidências" ocorridas em crimes comuns, principalmente de assalto. "Em geral, esses meliantes foram assaltar as vítimas e não sabiam que se tratavam de policiais. E estes estavam de folga ou fora do serviço, mas agiram pelo dever de sua função policial e para deter os criminosos em flagrante. Em poucos casos, eles acabam atingidos. Portanto, não se tratam de ataques contra policiais", esclarece o oficial.

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