Superlotação do Huse gera retenção de macas

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Mais uma vez Sergipe é destaque na mídia nacional por conta da falta de leitos e retenção de macas do Samu na maior unidade de saúde do Estado, o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Com a deficiência, as macas das ambulâncias estão sendo improvisadas como leitos hospitalares comuns.

O assunto já foi denunciado outras vezes pela direção do Sindicato dos Condutores de Ambulâncias do Estado de Sergipe. Sem a maca, que é o equipamento mais básico de atendimento, a central do Samu é obrigada a acionar equipes que estão longe. As macas, que deveriam ser usadas apenas durante os atendimentos de emergência, acabam retidas dentro de hospitais públicos superlotados. Com isso, os socorristas são obrigados a esperar na porta do hospital, ou seja, não podem voltar para a base e assim fazer um novo atendimento.

Segundo o presidente do Sindicato, Adilson Ferreira Melo, as macas ficam presas no Huse porque não há leito suficiente para atender a demanda. "Nos hospitais regionais espalhados pelo interior do Estado o problema não existe porque nossas idas a essas unidades de saúde quase não existe e o quantitativo de leitos atende bem a população das regiões. A situação das macas ficarem presas acontece e muito é no Huse", relatou.

Hoje o Samu conta com 60 veículos, cada um deles com uma maca e mais de 1.000 servidores, entre eles médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, rádio operador e condutores. Ao todo, a cidade de Aracaju, com 570 mil habitantes, tem 12 ambulâncias do Samu.
O período mais complicado é durante os finais de semana. "Neste último sábado houve um caso da equipe chegar ao hospital às 23 horas e sair no dia seguinte, às 11h30. Durante a semana a média de espera da equipe do Samu é de 30 minutos", disse Adilson.

A espera gera outras dificuldades para a população, que precisa aguardar mais tempo pelo atendimento do Samu. "Quem precisa de atendimento não quer saber que não temos maca, quando a gente chega à casa das pessoas ouvimos reclamações e sofremos até agressões verbais. Já houve caso de jogarem pedra na viatura", relembrou o sindicalista.

Para Adilson uma das soluções para a falta de macas no Huse é a normalização do atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAS) Fernando Franco e Nestor Piva, ambas localizadas em Aracaju. "Temos veículos, mão de obra e macas, mas se o município não resolver o problema do atendimento nas UPAS o Huse continuará superlotado com pacientes que apenas precisam de atendimento clínico e consequentemente as macas do Samu continuarão sendo utilizadas". As UPAS aracajuanas têm passado por uma crise no atendimento, faltam médicos, medicamentos e insumos, o que gera a procura por parte da população pelo atendimento no Huse.

A Fundação Hospitalar de Saúde  esclareceu por meio de nota que o  problema de retenção de macas decorre da superlotação do pronto socorro e da falta de regulação prévia dos pacientes que chegam ao hospital. "Cerca de 40% dos pacientes do PS-Huse são da regional Aracaju e poderiam ser admitidos e ter recebido o primeiro atendimento nas UPA’S Aracaju. No entanto, quase que diariamente essas unidades estão fechadas ou com restrição de atendimento, bloqueando admissão de pacientes que chegam por demanda espontânea ou até conduzidas pelo Samu 192 Sergipe", explicou a nota.

Outro ponto crítico é a ausência de regulação prévia do paciente que é transferido de unidades de baixa complexidade (hospitais municipais e UPA’S) sem regulação prévia junto ao Huse. Isso dificulta a absorção desses pacientes pelos hospitais regionais e sobrecarrega o Huse. Todo hospital precisa ter capacidade de ampliar leitos emergencialmente. É recomendado que este percentual seja entre 10% e 15%. Hoje, o Huse opera com 60% a mais da sua capacidade de atendimento.

Compartilhe esta notícia