Um homem suspeito de ligações com a facção criminosa paulista PCC (Primeiro Comando da Capital) foi preso ontem à tarde por policiais civis do Departamento de Narcóticos (Denarc). Trata-se de Deivid dos Santos, 21 anos, que já era investigado pelo crime de tráfico de drogas e foi encontrado em sua casa, no bairro Santa Maria (zona sul).
De acordo com o delegado André Baronto, os agentes do Denarc receberam denúncias anônimas informando que Deivid estaria traficando drogas em sua própria residência no bairro Santa Maria. "Após algumas diligências deflagrarmos a operação e efetuamos a prisão do suspeito. Com ele, foram apreendidos cocaína, maconha, anotações de devedores, dinheiro, além de cópia do ‘estatuto’ do Primeiro Comando da Capital", explicou.
Na delegacia, o acusado disse aos policiais que teria encontrado o ‘estatuto’ do PCC em uma rua de Aracaju – e que, na ocasião, ele estaria todo molhado. O delegado do Denarc diz não acreditar nesta versão, já que, segundo ele, Deivid morou em Campinas (SP), e possui uma carpa tatuada no braço, símbolo da facção criminosa, além de informar aos policiais que foi preso em Campinas por tráfico e roubo. "O trabalho de investigação apenas está iniciando, ainda vamos aprofundar para colher maiores detalhes sobre a presença de Deivid em nosso Estado", concluiu Baronto.
O ‘estatuto’ é uma carta que costuma circular entre integrantes da facção que estão dentro ou fora dos presídios – e já chegou a ser apreendido outras vezes em Sergipe, por ocasião de outras operações da Polícia Civil. Redigido em 1993, quando o PCC foi criado por detentos da Casa de Custódia de Taubaté (SP), ele contém regras que devem ser seguidas cegamente pelos integrantes da facção – e determina a "morte sem perdão" para quem descumpri-las. Entre elas, está o pagamento de uma taxa mensal, cujo dinheiro, segundo a polícia, é usado para comprar armas e drogas, além de financiar ações de resgate de presos ligados ao grupo.
Em outubro de 2013, uma grande investigação do Ministério Público Estadual de São Paulo revelou que a facção criminosa paulista conseguiu implantar seus núcleos 22 estados e dois países vizinhos, tendo ao todo 11.500 integrantes. Na ocasião, o JORNAL DO DIA destacou, com exclusividade, que Sergipe tinha 169 integrantes, sendo o quarto estado nordestino com maior número de criminosos ligados ao PCC.


