Um tiroteio ocorrido na madrugada de ontem em uma estrada no povoado Cruz da Donzela, em Malhada dos Bois (Baixo São Francisco), resultou na morte de três homens investigados por casos de roubos de gados ocorridos nos últimos seis meses em pequenas fazendas da região. Os suspeitos entraram em confronto com policiais civis e militares liderados pela Coordenadoria de Polícia Civil do Interior (Copci), que atuam em uma força-tarefa montada em outubro de 2012 pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) para combater o roubo de gado nas áreas rurais do norte do estado.
Apenas dois dos suspeitos foram identificados: são os ex-presidiários João Guimarães, 49 anos, o "Dundinha", e Edmundo Ferreira Filho, 30, o "Cabeção". O corpo do terceiro permaneceu sem identificação no Instituto Médico-Legal (IML) até a noite de ontem. Segundo o delegado Everton Santos, coordenador da Copci, o trio estava em um carro Corsa Classic que foi abordado por estar com o peso muito acima do normal na parte traseira. "Nossa equipe deu voz de prisão a eles e eles reagiram. A viatura da polícia foi atingida por pelo menos dois impactos", disse o delegado, confirmando que os suspeitos morreram ao serem levados para o Hospital Regional de Propriá.
A carga encontrada no carro dos mortos era de pedaços de carne e ossos, os quais, segundo a polícia, são de animais roubados de uma propriedade próxima e abatidos horas antes do confronto. A carne foi apreendida e deve ser encaminhada para a Empresa de Desenvolvimento Agrário de Sergipe (Emdagro). Também foram apreendidos três revólveres calibre 32, celulares, documentos e facas e serras usadas para cortar os ossos do gado furtado.
Everton Santos confirma que o trio era investigado há pelo menos seis meses e estava envolvido em pelo menos 10 casos de roubo de gado nas fazendas de Malhada dos Bois, Cedro de São João e outras cidades vizinhas. "Eles escolhiam as propriedades que estavam sozinhas, onde o vaqueiro dorme distante do pasto ou do curral. Na calada da noite, eles escolhiam a rês, abatiam a rês deixavam a cabeça dela para trás, embarcavam o material e o caseiro nem tinha como sair, porque via que tinha homens armados e não podia reagir. Muitas vezes, o roubo do gado só era percebido ao amanhecer, quando se viam os rastros. É um crime que acontece sem muito barulho e não tem testemunhas", relatou o delegado sobre o modo de ação da quadrilha.
A polícia também já sabe que a carne do gado furtado era vendida nas feiras livres, sempre de forma clandestina e em péssimas condições de higiene. "A preocupação não é só com o patrimônio que foi subtraído, mas também com a saúde dos sergipanos que compram e consomem diariamente esta carne. A gente não sabe a situação do boi que estava abatido, se ele estava doente, em que condições ele foi abatido, se no local havia germes ou bactérias… Essa carne não pode ser simplesmente vendida neste local, por causa da procedência duvidosa", alerta. O próximo passo das investigações, segundo o delegado, é identificar e prender os receptadores do gado roubado, bem como outros integrantes da quadrilha. (Gabriel Damásio)


