Gabriel Damásio
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O Comando da Polícia Militar anunciou ontem à tarde a expulsão do soldado Jean Alves de Souza, acusado de ser um dos executores da "Chacina do Huse", na qual três pacientes foram mortos a tiros dentro do pronto-socorro do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em 27 de abril de 2012. Jean, que ficou mais de seis meses preso e é arrolado como um dos quatro réus do processo, foi desligado da corporação por decisão do comandante-geral, coronel Maurício Iunes, como parte final de um processo disciplinar administrativo aberto dias após o episódio. O tenente Genilson Alves de Souza, irmão de Jean e segundo réu acusado pelo crime, foi igualmente condenado no mesmo processo, mas tem o direito de apresentar recurso ao governador Marcelo Déda para tentar evitar sua expulsão.
De acordo com o setor de Relações-Públicas da PM, o processo não julgou o crime em si, mas sim a conduta ética, profissional e disciplinar do soldado e do tenente durante os fatos ligados à chacina. Concluiu-se que o proceder dos irmãos militares foi contrário à honra e ao pundonor militar, além de prejudicar a imagem da Polícia Militar sergipana junto à sociedade e à opinião pública nacional – já que a chacina teve ampla repercussão em todo o Brasil. Em conseqüência disso, o comandante-geral considerou Jean e Genilson como culpados, mas, por força de lei, só tem competência legal para expulsar soldados, cabos e sargentos. A expulsão valeu de forma imediata para Jean, que foi processado junto à Corregedoria da corporação.
O tenente, por sua vez, passou por um Conselho de Justificação formado por oficiais graduados, o que também consiste em processo administrativo. Por ser oficial, Genilson poderá recorrer ao governador Marcelo Déda para pedir que ele não confirme a decisão do Comando. Outra alternativa será o pleno do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), que vai julgar o processo disciplinar do Comando e poderá submeter o tenente à expulsão, à reforma compulsória (aposentadoria) ou à perda da patente, caso seja "declarado indigno ao oficialato". A PM esclareceu que a decisão do comando não é relacionada ao processo criminal e respeitou o direito de defesa dos processados.
A chacina – Jean e Genilson foram presos horas depois da chacina, que aconteceu após o assassinato de um terceiro irmão dos réus, o padeiro Jailson Alves de Souza, em tiroteio ocorrido à mesma noite do dia 27 na Avenida Santa Gleide, bairro São Carlos (zona oeste). Jailson morreu no Huse após ser baleado junto com o sobrinho, o agente socioeducativo Ralph de Souza Monteiro, em troca de tiros com suspeitos de terem roubado sua moto.
Segundo a denúncia do Ministério Público, os PMs decidiram vingar a morte de Jailson e, acompanhados de um quarto irmão, o vigilante Ginaldo Alves de Souza, entraram armados no hospital e atiraram várias vezes, matando os pacientes Adalberto Santos Silva, Cledson Silva Santos e Márcio Alberto Silva Santos, julgando serem eles os autores da morte do padeiro. Em inquérito paralelo aberto pela Polícia Civil, apenas Cledson e Adalberto tiveram participação comprovada no primeiro crime. Os dois casos tramitam em separado na 8ª Vara Criminal de Aracaju e ainda aguardam decisão de pronúncia dos réus pela juíza Soraia Gonçalves.


