Táxis clandestinos da Barra continuam circulando

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Sem fiscalização ostensiva, taxistas clandestinos da Barra dos Coqueiros continuam entrando e saindo da capital sergipana pela ponte Aracaju/Barra e volta a incomodar os profissionais que atuam dentro das exigências municipais. Nos horários considerados de grande movimento, cerca de 200 veículos promovem esse tipo de transporte que muitas vezes é realizado por carros do tipo lotação, e de veículos com a placa de cor cinza. Conforme esclarecido pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), todos os carros com placa cinza e texto preto são particulares, e o serviço irregular de transporte pode resultar em multas e apreensão do veículo. Insatisfeitos com a permanente irregularidade, os taxistas bandeirinhas ameaçam adotar medidas agravantes já nos próximos dias.

Em entrevista concedida ao Jornal do Dia, o presidente do Sindicato dos Taxistas de Sergipe (Sintax), Manildo Costa de Azevedo, garantiu que esse problema é antigo, de amplo conhecimento dos órgãos municipais de fiscalização e é preciso que a categoria volte a se unir e defender o cumprimento das leis municipais e estaduais de trânsito. Avaliando como ‘parcialmente insignificantes’ as manifestações onde a ponte Aracaju / Barra temporariamente foi interditada pelos taxistas credenciados, o sindicalista não poupou críticas às administrações da Superintendência Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT) e disse se reunir com líderes trabalhistas a fim de coibir em definitivo o transporte clandestino na Grande Aracaju.
"É uma concorrência desleal, já que eles cobram preços bem abaixo da tabela regular e não oferecem segurança nenhuma para alguns populares que são cúmplices desse trabalho sujo. Estamos cansados de tanta promessa de ampliação na fiscalização e nenhuma atitude representativa de fato tenha sido adotada nem pela SMTT de Aracaju, muito menos pela SMTT da Barra", afirmou. Conforme estatísticas do próprio Sintax, dos cerca de 350 taxistas cadastrados na Barra dos Coqueiros, 100 são de lotação e mais de 250 fazem corrida livremente em Aracaju como táxi de bandeira. Essa denúncia do Sintax é fácil de ser conferida. Nas portas dos shoppings centers e mercados municipais, a cada hora dezenas de carros são ‘preenchidos’ livremente.
Para circular na capital, o taxista tem que ser registrado na SMTT de Aracaju e pertencer a um ponto específico da mesma cidade. O veículo recebe uma faixa especial e há uma tabela de bandeirada específica. "Todo mundo percebe que o sistema de fiscalização está fragilizado e nada é feito para acabar com esse problema que interfere na renda mensal de centenas de famílias. Como varias manifestações e pedidos foram feitos e não houve progresso, vamos começar a tomar atitudes por conta própria", pontuou Manildo Costa. No primeiro trimestre de 2011 os taxistas já haviam se reunido com a diretoria de trânsito da SMTT. Na época a promessa foi de estudo de alternativas que pudessem deter essa prática.

Na manhã de ontem a superintendência voltou a se manifestar e garantiu que esses estudos continuam. De acordo com José Péricles Menezes, diretor de transportes públicos, é preciso que a população se some aos órgãos de fiscalização e denuncie essas atividades. "É de conhecimento de todos que não temos efetivo suficiente para estarmos intensificando essa fiscalização em todos os cantos da cidade. Diria ser um trabalho quase que impossível. Precisamos que todos os aracajuanos se juntem a essa causa e denuncie a irregularidade", disse. Nos últimos dez meses, três manifestações foram realizadas pelos taxistas bandeirinhas em Aracaju. "Vamos continuar trabalhando para acabar com a clandestinidade", garantiu Péricles.
 
SMTT/Barra – Pelo superintendente de trânsito e transporte do município da Barra dos Coqueiros, Gilvan Mecenas, a falta de efetivo suficiente na cidade é o mesmo problema enfrentado pela administração da capital e isso tem inviabilizado o sucesso na missão. "Estamos conversando com os taxistas e com a população para tentar acabar com esse transporte. O que podemos fazer é buscar alternativa junto aos trabalhadores que dizem se sentir lesados e aos poucos abordar esses veículos e aplicarmos as punições contidas na legislação", declarou o gestor. Para os taxistas, fica a incerteza de melhorias e intensificação das fiscalizações. Esse é o caso de Luís Manoel que trabalha no ramo há 23 anos.
"Não é de hoje que estamos insatisfeitos com essa situação e já estamos conscientes da não solução enquanto todos os administradores continuarem com esse argumento. Não acredito que o ‘pequeno’ efetivo seja o principal problema. Estou com o presidente Manildo, chega de esperar uma solução que não aparece", afirmou.

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