Membros da Cooperativa dos Taxistas Alternativos voltaram a ocupar na manhã de ontem a sede da Câmara de Vereadores de Aracaju (CMA) para reivindicar a regulamentação do transporte e o fim da fiscalização severa realizada pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). De acordo com os manifestantes, os taxistas alternativos receberam como proposta em 2012 a promessa de legalização dos serviços em troca do apoio à candidatura executiva, mas alegam que até o final da tarde de ontem não foram procurados pelo prefeito João Alves Filho para debater o assunto que tem provocado uma série de conflitos há mais de dois anos.
Conforme lamenta Paulo Sérgio, diretor da Cooperativa da Coara do Meio e Atalaia, gestores municipais ligados ao prefeito estão atuando diretamente contra os interesses da classe trabalhadora e na contramão dos anseios de passageiros que se dizem reféns de um sistema coletivo de qualidade ruim na capital sergipana. Para ele, é preciso que os vereadores ‘saiam de cima do muro’ e comecem a discutir o assunto de forma mais abrangente em sessões da CMA. Os taxistas que se apresentam como alternativos, garantem que, caso não haja avanços no diálogo, as mobilizações vão permanecer por tempo indeterminado.
"Chegamos ao limite da paciência e por isso estamos mais uma vez lutando pela permissão de trabalhar. Às vezes acho que o prefeito não está entendendo direito o nosso pedido: queremos trabalhar e atender melhor a população que não conta com um transporte público de qualidade como a Prefeitura de Aracaju nas propagandas diz ter. Queremos a regulamentação e que a SMTT pare de tratar os taxistas como bandidos", declarou. Em contraponto a Prefeitura de Aracaju também voltou a destacar que definitivamente não concorda com o transporte alternativo e deve permanecer realizando diariamente a fiscalização contra esta categoria através da SMTT.
A determinação apresentada aos agentes é de continuar atuando com rigidez a fim de inibir este tipo de serviço, o qual, considerado uma atividade clandestina. Sem o apoio pleiteado, os manifestantes alegam que agentes da SMTT estariam perseguindo os motoristas e aplicando multas de forma indevida. O presidente da Cooperativa dos Taxistas do Augusto Franco, Carisvaldo Santos, que se mostra revoltado com o andamento deste processo, detalhou ao Jornal do Dia como os agentes de trânsito têm atuado contra os taxistas.
Segundo Carisvaldo, veículos sem nenhuma identificação do órgão ficam posicionados em pontos estratégicos apenas aguardando o momento exato para repassar as informações para viaturas que também ficam estacionadas nas intermediações dos bairros. "O que mais nos deixa contrariado é que estamos trabalhando honestamente, e o mais importante, atendendo a pessoas que conhecem o nosso trabalho, confiam plenamente no serviço prestado e que ao mesmo tempo não são atendidos como deveriam por taxistas bandeirinhas, por exemplo. Humilhação é o que a gente tem sentido na pele desde que ele (João Alves) assumiu o mandato", disse. A cooperativa informou ainda que a Guarda Municipal também atua de forma arbitrária contra os ‘alternativos’.
Nos últimos cinco meses, mais de 80 táxis clandestinos foram apreendidos. Cerca de 110 multas já foram aplicadas. Uma nova manifestação deve ocorrer na próxima semana no centro de Aracaju, mas as cooperativas não informaram o dia, nem horário do ato.


