Milton Alves Júnior
Um grupo de taxistas bandeirinhas com licença de atuação em Aracaju realizou na manhã de ontem mais uma manifestação contra a instalação de aplicativos de transporte alternativo. Conforme avaliação apresentada pelo Sindicato dos Taxistas do Estado de Sergipe (Sintax), é inadmissível que as novas plataformas de serviço público permaneçam em atuação, promovendo assim, uma concorrência desleal, conforme avaliação da categoria. Segundo os manifestantes, os carros de placa cinza, coordenados, por exemplo, pelo Grupo Uber, estão atuando sem os devidos pré-requisitos legais e contribuindo para que o faturamento de alguns taxistas tenha registrado queda de até 70%. O movimento contou com aproximadamente 110 veículos.
Reunidos em frente à entrada principal do sindicato, os taxistas seguiram em carreata pelas principais ruas e avenidas da capital a fim de chamar a atenção dos órgãos estaduais e federais de fiscalização, bem como dos vereadores de Aracaju e deputados estaduais que desenvolvem mandatos na Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Alese). A pressão popular se estendeu também para o Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJ/SE). A proposta é chamar a atenção dos parlamentares e juristas para que possam derrubar a permissão de atuação por parte do Uber. Considerado o período mais lucrativo para a categoria, a perspectiva é que este mês de junho apresente a maior redução lucrativa da história.
Gerson Ferreira – que responde pela presidência sindical, afirmou que a chegada desses aplicativos ao estado de Sergipe está acabando com a sobrevivência dos cidadãos taxistas. Somente em Aracaju, cerca de dois mil profissionais já sentiram a redução no número de corridas se comparado aos anos anteriores. Desde a primeira quinzena de dezembro do ano passado – quando o Uber foi oficialmente disponibilizado, os taxistas bandeirinhas frequentemente seguem promovendo protestos na esperança de derrubar esta modalidade. Mesmo sem o visível apoio popular, Ferreira acredita que logo em breve o poder legislativo irá derrubar a permissão que não regulamenta o serviço, mas também não impede a funcionalidade do Uber.
Ciente da dificuldade em permanecer com as reivindicações, já que os usuários defendem a existência dos dois serviços, o presidente garantiu continuar com os atos por tempo indeterminado. “Vamos fazer de tudo para que os sergipanos ouçam o que nós temos para falar, e possamos explicar o nível de dificuldade que este aplicativo está provocando à nossa categoria. Para se ter ideia da abrangência do Uber, os motoristas que se apegam a essa liminar estão fazendo filas no aeroporto, supermercados e clínicas, e invadindo um espaço que sempre foi destinado aos bandeirinhas devidamente cadastrados junto à Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT)”, avaliou.


