Terceirizados da Petrobras protestam em rodovia

Funcionários terceirizados da Petrobras bloquearam na manhã de ontem parte da BR 235 no trecho que liga os municípios de Areia Branca e Riachuelo em protesto contra o atraso no pagamento dos salários, auxílio alimentação e auxílio moradia. Pela quarta vez em menos de oito meses os servidores contratados por uma empresa do Rio de Janeiro decidiram promover um ato público a fim de exigir transparência por parte do grupo patronal. Segundo os manifestantes, em decorrência desse atraso, muitos apartamentos alugados já tiveram o serviço de água e energia temporariamente bloqueadas. Cerca de 60% dos profissionais que aderiram a paralisação são de Pernambuco, Bahia e Ceará, e não possuem família em Sergipe.

Atuando no estado há mais de um ano, os funcionários foram contratados para trabalhar na construção de uma tubulação de amônia entre a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) e o porto de Sergipe. De acordo com Robson Teles, um dos manifestantes que contribuiu para o fechamento da via, a situação trabalhista está ficando cada vez mais difícil. "Eu, por exemplo, sou do Rio Grande do Norte e estou há dois meses sem receber meu salário. Em pleno século XXI, como é que uma pessoa consegue sobreviver por muito tempo sem salário? Não fomos contratados para prestar um serviço voluntário", disse. Diante da problemática, a empresa fluminense foi procurada, mas não foi encontrada.

Recentemente, após a empresa contratada não ter cumprido algumas determinações contratuais, a Petrobras tomou posse da obra e gradativamente vem demitindo alguns desses funcionários através de telegramas. Para o pernambucano Rodrigo Figueiredo dos Santos, essa atitude está incomodando os profissionais, e alguns dos já demitidos não conseguem estabelecer um contato com a empresa. "Entendemos que a Petrobras é vítima assim como nós, mas eles não estão muito interessados em nos ajudar a resolver essa questão. O fundo de garantia não está sendo depositado e a empresa do Rio simplesmente sumiu". Ao todo, cerca de 30 profissionais interditaram a pista por aproximadamente duas horas e meia.

Na tentativa de desobstruir a rodovia, equipes da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal foram acionadas e ao chegar ao local convenceram os manifestantes a liberar o fluxo de veículos. ‘Preso’ na manifestação, o caminhoneiro Antônio Bonfim ressaltou uma possível parcialidade adotada pelos agentes na hora de negociar com os trabalhadores. "Pelo que percebi eles não queimaram pneus, não se mostravam agressivos, muito pelo contrário, a ideia era reivindicar direitos. Apesar de ter sido prejudicado, eu aprovo a manifestação e a forma como a polícia atuou nessa manhã", declarou. Segundo a PM, um congestionamento de 15 quilômetros foi formado durante a realização do ato.

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