Terceirizados demitidos da Petrobras protestam interditando rodovia

Na luta pelo recebimento de direitos trabalhistas, funcionários dispensados da empresa MCE Engenharia, que prestava serviços para a Petrobras, permanecem promovendo atos públicos em Aracaju. Com o apoio parcial do Sindicato dos Petroleiros do Estado de Sergipe (Sindipetro), o grupo de manifestantes ainda exige que os funcionários demitidos sejam imediatamente reintegrados pela nova empresa que foi contratada para realizar os serviços antes administrados pela MCE. Na madrugada de ontem, por volta das 3h, o grupo criou barreiras de fogo na avenida Melício Machado, próximo à entrada principal do Tecarmo. Os profissionais demitidos ameaçam realizar novas mobilizações ainda esta semana.

Conforme denúncia apresentada durante o bloqueio da via, alguns servidores estão sem receber benefícios como: segunda parcela do 13º salário, cesta básica de janeiro e fevereiro, além do salário de fevereiro que continua atrasado. Até o momento sem obter resposta por parte da empresa que possui sede apenas nos estados da Bahia, Pernambuco e São Paulo, eles ameaçam, também, apresentar os indícios de irregularidades junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT), à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), além do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJ/SE).

Gilvan Mota criticou a empresa. "Não temos medo de perseguição porque não estamos fazendo nada demais; estamos apenas lutando pelos nossos direitos que esta empresa continua sem respeitar o cidadão trabalhador que sempre honrou com a farda e o nome do grupo. As mobilizações vão continuar e torcemos também para que a Petrobras possa interferir a nosso favor, inclusive solicitando que a nova empresa nos contrate porque não queremos ficar desempregados. Temos família para cuidar e precisamos desse apoio da Petrobras", afirmou. Em média, 190 trabalhadores atuavam no Polo Atalaia. Destes, menos de 20%, segundo os manifestantes, foram contratados pela nova empresa.
Paralelo aos atrasos salariais, os demitidos continuam sem ter acesso à senha que dá acesso a retirar o respectivo Fundo de Garantia do Tempo de Trabalho (FGTS), na Caixa Econômica Federal. Informações apresentadas pela empresa aos ex-funcionários ainda no final do ano passado destacavam uma dívida orçada em cinco milhões de reais por parte da Petrobras junto à MCE. O atraso no repasse do 13º salário também estaria atrelado a não quitação milionária. Diante da situação de dificuldade financeira, a empresa, no último mês de janeiro decidiu quebrar o contrato, e acatar com a perda de dois milhões de reais na linha de crédito para a Petrobras. Após essa medida, servidores começaram a receber o aviso prévio de demissão.

Leandro Gomes, que também foi dispensado esta semana, declarou lutar apenas pelo que é de direito. A probabilidade de contratação por parte da nova empresa, segundo ele, trata-se de uma luta ainda secundaria. "É sim evidente que todos nós aqui gostaríamos de continuar trabalhando no Tecarmo, ou onde quer que fosse, essa possível contratação será importante para nós, mas o que não podemos perder o foco agora é quanto aos nossos direitos da MCE que ninguém até agora sabe quando iremos receber. Precisamos do apoio dos órgãos de fiscalização e que defendem os direitos do trabalhador brasileiro", declarou.
Durante a mobilização da categoria agentes da Polícia Militar, da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), além do Corpo de Bombeiros, estiveram acompanhando os encaminhamentos do ato. Ao final, o grupo ameaços novas mobilizações, mas optou por não informar quando este movimento deve ocorrer na capital sergipana.

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