Milton Alves Júnior
Uma cratera se abriu na madrugada de ontem na Central de Abastecimento do Estado de Sergipe (Ceasa), em Aracaju, e por interferência de um caminhão estacionado não contribuiu para que uma carga de frutas não fosse totalmente perdida. A ocorrência foi registrada antes das 4h quando um caminhão carregado de mamão estava estacionado para ser desabastecido. Minutos antes de os feirantes dar início a retirada do alimento, o solo entrou em colapso e ‘sugou’ parte do caminhão. Com o impacto, cerca de 40% da carga acabou despencando e sendo esmagada pelas caixas que se amontoaram na pista. Um caminhão já descarregado serviu de estaca para não deixar o sinistro ser ainda maior.
De acordo com Elisandra Vieira, proprietária do veículo fretado para transportar o produto, há meses os motoristas e proprietários de caminhões se queixam das condições estruturais do local. Mesmo diante das taxas que são mensalmente cobradas pela direção administrativa da Ceasa, os comerciantes e consumidores se deparam com a ausência de investimentos prevendo a melhoria estrutural do espaço. Elisandra disse aguardar os gestores da Central de Abastecimento para participar de uma reunião extraordinária a fim de a direção arcar com os prejuízos. Ao JORNAL DO DIA ela disse não ter tido tempo suficiente para avaliar a representatividade financeira da ocorrência vai demandar.
"Essa mesma reclamação é apresentada, e vocês podem ver nos dias de maior movimento, pelos fregueses que costumam há anos realizar compras aqui no Ceasa. Infelizmente a cada novo período a gente vê mais o abandono que está esse centro e dessa vez o descaso ficou mais que escancarado com isso que aconteceu. Espero realmente que os diretores percebam o dano que esse buraco imenso nos causou e arquem com o prejuízo. Espero não precisar recorrer a outras instâncias legais, que não seja apenas o diálogo, para resolver todo o prejuízo que sofremos", lamentou. Na tarde de ontem buscamos ouvir um representante da diretoria administrativa, mas nenhum dos gestores se mostrou disponível.
Toda a carga espalhada com o impacto foi recolhida no início da manhã. O veículo, com o apoio de outros caminhões, foi removido do buraco por volta das 9h30. "Existe uma serie de perdas. Não apenas com a carga e com o conserto do veículo. Também tem a questão do tempo em que o caminhão vai precisar ficar parado para o reparo. Estamos atentos a tudo isso e espero que eles arquem com todo esse prejuízo", completou Elisandra Vieira.

