THE DEAD DON’T DIE

Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos

O carro seguia seu caminho de todo santo dia. A mesma rotina, a mesma dinâmica. Certa feita, o motorista se deu conta que o sol ainda não havia se posto, posto que já era tarde. O relógio não acusava nada. Estranhamente, tudo parou. Parou também o tempo. Sim, o tempo inusitadadamente havia parado. Não somente o cronológico, mas também aquele que existia antes mesmo da cronologia. Ainda sentia o vento soprar e as folhas se moverem com suas carícias. Os pássaros ainda voavam e as flores seguiam sua missão de dar beleza a tudo.
O motorista encostou o carro e o desligou. Desceu e foi se certificar se o tempo realmente havia parado. Colocou a mão no bolso e sacou o celular. Não havia bateria. Retornou ao carro e ligou o rádio. Nenhuma estação disponível e nem mesmo um mísero chiado.
Não havia barulho, além daqueles emitidos pela natureza. Ninguém em volta e nenhum sinal de vida humana, pelo menos em seu entorno ou nas proximidades. Somente ele, seus pensamentos e sua existência.
O agora transeunte sentiu-se só, mas não esboçava medo ou aflição. Tomado apenas de estranhamento, estranhamente começou a caminhar para longe do carro, rumando para onde o vento apontava.
Passadas algumas centenas de passos (não se sabia quanto há quanto tempo), o sujeito parou diante de um lindo descampado verde, com árvores frondosas, de grossas copas e galhos extensos. Assentou-se debaixo de uma delas, curtindo a enorme sombra sobre ele, embora o dia não estivesse quente.
Por um instante, sequer sabia para onde ia com o carro, antes. Ocupou-se longamente de olhar em volta, sentir o cheiro das coisas, ouvir o som das águas ligeiras de um rio próximo e lentamente foi tomado por uma paz indescritível.
Não sentia dor e tão pouco preocupação. O ar fresco enchia seus pulmões e o coração tranquilamente fazia seu papel. Não sentia fome e nem sede. Largou os óculos de lado e tirou os sapatos e as meias.
A sensação moderna de tempo, ele não mais conseguia conceber. Era como se as horas não passassem e por isso mesmo a pressa já não lhe preocupava. Não havia nada nas mãos, nem mesmo anéis, tão pouco correntes ou qualquer adereço. Nem mesmo o relógio não sabia onde havia deixado. Talvez no carro.
Já não sabia quem era e o que deveria fazer ao se levantar daquele lugar. Queria estar ali fosse o tempo que precisasse e tempo já não era mais um problema para ele. Se realmente ele havia parado, certamente agora era só dele.
Como um ladrão, o sono lhe tomou por inteiro, relaxando todos os nervos de seu corpo. A respiração foi ficando cada vez mais pausada, leve e tranquila. Sem sonhos ou pesadelos, dormiu sem pressa e demoradamente, despertado, algum tempo depois, pelo alarme da cômoda, ao lado da cama.

Inspirado na canção de Sturgill Simpson.

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