TJ adia decisão sobre recurso do Sintese e greve continua

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Professores da rede estadual receberam na manhã de ontem mais um banho de água fria. Aglomerada em frente à sede do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJ/SE), a categoria acompanhava com ansiedade a sessão plenária que previa, assim como outras pautas ordinárias, promover uma reavaliação da liminar expedida pelo desembargador José dos Anjos na qual julgava a greve dos docentes como ilegal e aplicava uma multa orçada em R$ 10 mil para cada dia de descumprimento. Por decisão do judiciário o debate interno foi suspenso e essa notificação contribuiu para insatisfazer o grupo de manifestantes que há tempos já se mostra enfadado com a postura administrativa do TJ.

A paralisação de aproximadamente 12 mil profissionais da educação completa hoje 25 dias e tem prejudicado cerca de 170 mil estudantes. Esta semana dois grandes grupos representantes dos alunos em parceria com os pais voltaram a pedir pelo fim do movimento grevista e apontaram outras soluções que podem cessar o impasse entre sindicalistas e governo, e, obviamente, minimizar os transtornos enfrentados pelos educandos. A categoria reivindica junto à Secretaria de Estado da Educação (Seed), um reajuste salarial de 13,01% para todos os níveis profissionais, além de uma imediata qualificação estrutural das unidades escolares, contratação de novos professores para as salas de aula, e ampliação da segurança em todas as instituições.

Os grupos grevistas também se mostram contrários à proposta de municipalização de 40 escolas dedicadas ao Ensino Fundamental que atualmente são administradas pela Seed. Conforme ressaltado pela direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), é fundamental que o poder judiciário juntamente com os alunos possa buscar atender o pleito dos manifestantes e contribuir por um ensino público de qualidade. Na avaliação da professora Ângela Melo, presidente do Sintese, a partir do momento em que o Governo de Sergipe e os órgãos de fiscalização começarem a atuar junto à categoria educadora, a menor unidade federativa do Brasil voltará a registrar avanços significativos.

"Infelizmente achávamos que a justiça iria avaliar essa liminar apresentada no mês passado pelo desembargador José dos Anjos com apenas 72 horas de movimento sindical. O que não dá para aceitar calado é perceber as escolas cada vez mais deterioradas, uma falta de segurança imensa dentro e fora dessas unidades, além do professor ser desvalorizado com o não repasse do reajuste salarial", declarou. Sem ter outro jeito a dar, conforme enaltecido pelos próprios manifestantes, a meta agora é permanecer reunidos em frente ao Palácio Governador Augusto Franco até que o governador Jackson Barreto decida atender ao pedido da categoria, ou que o poder judiciário intervenha a favor dos trabalhadores.
 
Caminhada – Já no período da tarde, por volta das 16h, um grupo de aproximadamente 200 estudantes realizou uma marcha pelas principais ruas e avenidas do Centro da capital com o propósito de pressionar o Governo do Estado a encontrar soluções para a suspensão das aulas. A principal queixa dos manifestantes refere-se à suspensão das aulas para milhares de jovens que estão prestes a enfrentar dois dias de Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2015). Preocupado com a crítica situação causada pela greve, o jovem Leonardo Ribeiro dos Santos implorou durante a caminhada que ainda essa semana o Sintese busque debater de forma mais coerente os pleitos apresentados pela categoria.

"O governo já disse milhões de vezes que o estado enfrenta uma crise econômica complicada e que, caso esse reajuste fosse repassado como o Sintese exige, o próprio governo estaria ferindo a Lei de Responsabilidade Fiscal, sendo assim, é preciso que um dos dois lados dê o braço a torcer, porque continuar desse jeito é ruim para nós estudantes", destacou. A direção do Sintese informou que a categoria segue em greve por tempo indeterminado. Uma nova assembleia ocorrerá até a próxima terça-feira para definir se os trabalhadores aprovam, ou não, a continuidade do ato.

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