Gabriel Damásio
O Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) negou o pedido de reconsideração que foi apresentado pelos advogados da jornalista e pré-candidata Ana Maria do Nascimento Alves (DEM), filha do ex-governador João Alves Filho e da senadora Maria do Carmo Alves, que está presa desde a semana passada no Presídio Feminino (Prefem), em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). O recurso da defesa pedia a conversão da prisão preventiva, decretada pela 2ª Vara Criminal de Aracaju, em prisão domiciliar acompanhada de monitoramento com tornozeleira eletrônica. No entanto, o desembargador responsável pelo processo rejeitou o pedido, alegando em seu despacho que não houve fatos novos e nem outros desdobramentos na tramitação processual.
Apesar da negativa, foi aceito um pedido para que os documentos juntados com os pedidos da defesa sejam colocados em sigilo para evitar a consulta externa. A medida foi para evitar o vazamento de trechos do processo que investiga a participação de Ana Alves nos fatos investigados pela ‘Operação Caça-Fantasma’, do Ministério Público Estadual. O processo, referente à denúncia de contratação de funcionários comissionados fantasmas na Prefeitura de Aracaju (PMA) entre 2013 e 2016, corre em segredo de justiça, mas junto com o recurso preparado pelos advogados Evânio Moura e Cristiano Cabral, veio a público um trecho do mandado de prisão, o qual cita que Ana teria influenciado na mudança do depoimento de uma testemunha que depôs ao MPE em 13 de novembro.
O pedido de habeas-corpus impetrado por Evânio e Cristiano, que tinha sido negado pelo desembargador Diógenes Barreto, deve ser julgado na terça-feira que vem pelos três integrantes da Câmara Criminal do TJSE. Os advogados prometem insistir no pedido de liberdade provisória, argumentando que a jornalista tem diabetes e precisa de acompanhamento médico especializado. Diógenes decidiu manter a prisão por entender que ela mantém a garantia da ordem pública e que Ana foi denunciada pelo crime de obstrução de investigação, por ter tentado interferir nas apurações da ‘Caça-Fantasma’, além dos crimes de peculato e formação de quadrilha.
Fora – A defesa confirmou ontem que Ana Alves apresentou sua renúncia ao cargo de presidente estadual do Democratas. O pedido consta em um ofício enviado no último dia 5 para o presidente nacional do partido, José Agripino Maia (RN), e cita que ele é “em caráter irrevogável e irretratável”. A pré-candidata a deputada tinha sido eleita para o cargo há pouco mais de dois meses e vinha articulando uma aliança do partido com o PPS, que lançou o ex-deputado Mendonça Prado como pré-candidato ao governo do Estado. Mendonça foi casado com Ana e é um dos processados pela ‘Operação Babel’, também do MPE, que apura irregularidades em contratos emergenciais de coleta de lixo na PMA no começo da gestão Edvaldo Nogueira (PC do B).
Também na tarde de ontem, a Secretaria Estadual de Justiça (Sejuc) desmentiu o boato de que Ana Alves estaria fazendo greve de fome em protesto contra sua prisão. A assessoria do órgão informou que, na verdade, ela teria se recusado a tomar os medicamentos contra a diabetes dentro dos horários corretos, desde a tarde desta quarta-feira. Esta situação foi comunicada pela diretoria do Prefem à 2ª Vara Criminal, através de ofício. Ainda de acordo com a Sejuc, Ana voltou a tomar corretamente seus medicamentos na manhã de ontem.


