Todos contra a corrupção

Contra a corrupção, instituições mais fortes. Ministério Público, Polícia Civil e Federal e, agora, em âmbito estadual, até o historicamente desacreditado Tribunal de Contas. Há muito não se via um conselheiro presidindo a corte de contas de Sergipe com tanta disposição para abraçar a louvável tarefa de zelar pela coisa pública. Que o esforço do conselheiro Clóvis Barbosa frutifique.
A criação de um Tribunal de Contas foi proposta no Brasil em 23 de junho de 1826, por iniciativa do Visconde de Barbacena e de José Inácio Borges, que apresentaram projeto de lei nesse sentido ao Senado do Império. As discussões em torno de sua criação, no entanto, durariam quase um século. Uma queda de braço entre moralizadores e poderosos do olho grande, incomodados com a possibilidade de serem obrigados a prestar satisfações.
Mas o mundo dá muitas voltas. Concebidas como instrumento de controle independente, as cortes de contas se converteram, em muitos casos, em covil de gananciosos nomeados pelo governo de plantão. Os escândalos envolvendo os conselheiros Angélica Guimarães, acusada pela Procuradoria Regional Eleitoral por uso indevido das verbas de subvenção, por exemplo, e Flávio Conceição, todo embolado com a Operação Navalha, provam que mesmo as boas ideias não estão a salvo do arbítrio individual de uns e outros.
Certo é que razão para tanta vigilância não falta. O alvoroço relacionado à contratação de empresa especializada em coleta de lixo na capital sergipana e o desvio calculado em R$ 7 milhões na Câmara de Vereadores de Aracaju provam que se um conselheiro pode incomodar muita gente, uma corte inteira, zelosa e atuante, tem potencial de incomodar muito mais.

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