Trabalhador da construção civil ainda em greve

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Em greve há 11 dias, cerca de 13 mil operários que trabalham no ramo da construção civil em Sergipe continuam de braços cruzados aguardando uma contraproposta por parte do Sindicato da Indústria da Construção Civil em Sergipe (Sinduscon/SE), e que agrade aos trabalhadores. Reivindicando um reajuste salarial equivalente a 15%, ticket alimentação no valor de R$ 150 e plano de saúde para a categoria, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil em Sergipe (Sintracom) garantiu ao JORNAL DO DIA que a paralisação segue por tempo indeterminado e pode conquistar novos adeptos nos próximos dias.

Há uma semana, o Sinduscon, durante uma audiência pública na Delegacia Regional do Trabalho e Emprego (DRT), firmou um acordado oficial a fim de conceder 8% de acréscimo salarial e R$ 50 de ticket alimentação. Apesar dos dirigentes terem aprovado o reajuste, no último sábado, 19, durante assembleia extraordinária, a categoria reprovou a proposta e decidiu seguir com a greve. De acordo com o mestre de obras Luciano Batista, o reajuste oferecido é "muito pouco para o que os empresários podem oferecer". Para ele, 15% é uma porcentagem mínima e que cabe no bolso das construtoras.
"Não vamos aceitar menos de 15% de reajuste, nem menos de R$ 150 no ticket alimentação. Fico impressionado com o lucro semestral dessas construtoras e a desvalorização dos profissionais que erguem os inúmeros imóveis", afirmou. Entre as reivindicações do Sintracom, está também a oferta imediata de melhores condições de trabalho para os operários. Esse pleito foi exigido após a morte de quatro trabalhadores nos primeiros quatro meses desse ano.

Considerada a manifestação mais resistente dos últimos 20 anos, o sindicalista Joélison dos Santos disse que a paralisação pode acabar nas próximas horas. "Basta apenas eles atenderem as nossas reivindicações. Caso isso não aconteça nós iremos permanecer mobilizados e atrasando o andamento das obras". Sobre quem mais está sendo prejudicado com a mobilização, Joélison disse: "Certamente são as empresas que estão perdendo credibilidade e os clientes que vão receber os imóveis fora do prazo garantido durante assinatura do contrato".

Segundo a direção do Sintracom, no final da noite de ontem houve uma reunião entre os dirigentes do Sindicato da Indústria da Construção Civil para debater novas propostas.
Sem confirmar a realização dessa reunião, a assessoria de comunicação do sindicato das empresas disse que não poderia se pronunciar oficialmente até segunda ordem, mas que os diretores estavam mobilizados a fim de entrar em acordo com os trabalhadores o mais rápido possível.

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