Trabalhadores rurais protestam em Sergipe

Milton Alves Júnior


Durante todo o dia de ontem centenas de trabalhadores do campo atuantes no Estado de Sergipe se reuniram em Aracaju para promover a décima quinta edição da Marcha dos Trabalhadores Rurais. A mobilização foi coordenada pela direção do Movimento dos Sem Terra (MST), como forma de pressionar a administração pública federal a implantar a Reforma Agrária popular, bem como promover a antecipação de eleições diretas para a presidência da república. O ato contou com o apoio de centrais sindicais, grêmios estudantis, grupos religiosos e associações de moradores.

De forma paralela, um grupo formado por aproximadamente 200 trabalhadores rurais ocuparam à sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), como forma de exigir o repasse oficial das terras ocupadas  entre os municípios de Macambira e Frei Paulo. Segundo informações apresentadas pelos manifestantes, desde o início do ano o órgão federal promete adquirir a fazenda para em seguida repassar para as famílias. O problema, conforme as lamentações expostas no ato, é que até o momento não houve nenhum tipo de avanço neste processo; e a situação conflitante não para por aí.

De acordo com o líder social Jorge Alberto, muitos pais e mães de família andam preocupados com o futuro da família, já que eles têm recebido ao longo dos últimos dois meses notificações informando a reintegração de posse. "Queremos que esse dia de luta também seja marcado por conquistas oficiais. Não suportamos mais receber a garantia aqui que nossos pedidos serão aceitos em alguns dias e quando a gente chega lá no assentamento recebemos oficiais de justiça acompanhados por policiais federais e militares informando a reintegração de posse da terra que vivemos e dependemos. Estamos unidos mais uma vez para lutar por tudo aquilo que nos prometeram", declarou.

Apesar das reclamações, a assessoria de comunicação do Incra informou que a fazenda irá a leilão e que o órgão vai repassar os lotes para as famílias, conforme acordado anteriormente. “É uma reivindicação legítima, que demanda um investimento muito alto. O Incra está construindo alternativas para poder atender essa demanda dentro do que é possível”, declarou. O instituto alegou ainda que até o momento do repasse desses lotes o órgão necessita por lei respeitar uma série de exigências constitucionais. Diante destes protocolos a data não foi divulgada. Apesar das garantias, o MST pede agilidade, e não descarta a probabilidade de novas manifestações.

 

Discurso – De volta a Sergipe, o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédille, lamentou o ritmo adotado pelo governo para promover a Reforma Agrária. Crítico e impiedoso as atitudes adotadas pelo presidente Michel Temer, o militante declarou que: "essa reforma, por mais que a gente pressione, o que percebemos é que ela está totalmente emperrada e o Incra virou uma tapera velha voltada para fins partidários, isolado da sua função que é promover a reforma agrária, fazer desapropriações e resolver os problemas dos pobres do campo. Se no governo Dilma a reforma a passos de tartaruga, agora com Temer está muito pior. Precisamos mudar o comando do país com eleição direta".

Manifestações unificadas em alusão ao Dia Nacional do Trabalhador Rural também foram realizadas nos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Piauí e Maranhão.

O movimento foi encerrado com uma manifestação na Praça General Valadão, centro de Aracaju, onde ocorreu movimento em defesa de eleições diretas já, com a participação de lideranças políticas locais.

 

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