Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br
A Polícia Civil deflagrou na madrugada de ontem a "Operação Gavíria", que investiga a atuação de uma quadrilha que trazia drogas e armas do sul do país para abastecer o tráfico em Sergipe e em outros estados do Nordeste. Liderada pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), a ação foi mobilizada para cumprir 15 mandados de prisão expedidos pela Comarca de Aracaju. Ao todo, 13 pessoas foram presas até o fim da manhã de ontem em Sergipe e nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Bahia, com apoio da Polícia Militar, Polícia Federal e as polícias civis dos três estados,
Entre a madrugada e a manhã de ontem, nove pessoas foram presas, sendo quatro nas cidades de Aracaju, Barra dos Coqueiros e Itaporanga D’Ajuda. Outros quatro suspeitos estavam nas regiões da Costa do Sauípe (BA) e de Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai. Mais quatro suspeitos de envolvimento com a quadrilha também foram presos, mas em dias anteriores à operação de ontem.
No entanto, a prisão considerada mais importante foi a do paulista Adelmo de Andrade dos Santos, o ‘Barão’, 39, apontado como chefe da quadrilha e um dos principais traficantes do país. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ele estava na cidade de Auriflama (SP) e foi preso por uma equipe do Cope sergipano, com apoio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Araçatuba. O foragido tinha ainda dois mandados de prisão expedidos pela Justiça de São Paulo, também por tráfico. A expectativa é de que ele seja trazido para Aracaju a partir da madrugada de hoje.
Foram cerca de quatro meses de investigação sobre o grupo de ‘Barão’. De acordo com a investigação, ele era baseado em Aracaju e seus envolvidos tinham contatos com várias facções criminosas do país, através das quais eram fornecidas as cargas de maconha, cocaína e crack. Tais drogas, além de armas de fogo, eram despachadas de São Paulo e do Mato Grosso do Sul para abastecer quadrilhas de Sergipe e da Bahia, mas há informações de que o grupo atuava ainda no Ceará.
Em uma rápida entrevista, o delegado Jonathas Evangelista, diretor do Cope, admitiu a suspeita de que estas drogas seriam compradas em países vizinhos, como Bolívia e Paraguai, por causa da proximidade com a fronteira. No entanto, ele disse que essas informações serão investigadas mais a fundo com a prisão de ‘Barão’, bem como o possível envolvimento do grupo com alguns assassinatos. Com todos os suspeitos, a polícia apreendeu ainda armas, drogas, dinheiro e outras provas da atuação da quadrilha. Até o fechamento desta edição, pelo menos outras duas pessoas ainda eram procuradas pela polícia. Os detalhes serão divulgados em uma entrevista coletiva prevista para hoje.
O nome da operação da SSP é uma referência a César Gavíria Trujillo, presidente da Colômbia entre 1990 e 1994. Seu mandato teve como prioridade o combate aos cartéis de Cali e Medellín, considerados os principais fornecedores de cocaína do mundo. Com a atuação direta das Forças Armadas e o apoio logístico dos Estados Unidos, a ação do governo Gavíria desarticulou os dois grupos e teve o seu ponto máximo em 1993, quando um confronto com a polícia colombiana terminou na morte do famoso traficante Pablo Escobar, líder do Cartel de Medellín, que, na década de 1980, fornecia mais de 80% da cocaína consumida no planeta e chegou a faturar US$ 30 bilhões anuais.


