Travesti é assassinado no Centro de Criatividade

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Uma travesti com idade presumida de 25 anos foi encontrada morta ontem de manhã em uma das arquibancadas do Centro de Criatividade, no bairro Getúlio Vargas (zona central de Aracaju). A vítima, que não tinha documentos e nem foi identificada até o fechamento desta edição, estava ferida na cabeça, por conta de um provável tiro que perfurou o queixo e saiu junto à orelha direita. O corpo, de cor morena e com roupas femininas, também estava sujo de areia e uma calcinha abaixada até a altura dos joelhos, indicando que a travesti teria sido violentada sexualmente antes de morrer.

O cadáver foi achado por volta das 6h por pessoas que passavam pelos fundos do Centro e perceberam também que os refletores do local estavam desligados. Uma pista da polícia é de que os assassinos da travesti teriam acessado a caixa de energia e desligado os refletores, aproveitando-se da escuridão para cometer o crime. Ao lado da vítima, também foram achados canos de PVC usados como cachimbos improvisados para o consumo de crack, além uma caixa de fósforo e papéis de alumínio usados provavelmente como embalagens da droga. De acordo com funcionários e vizinhos do Centro, o local tem sido visitado com freqüência por usuários de drogas, que chegam a pular as grades e cercas da unidade.

A Polícia Militar chegou ao local depois que o corpo foi achado e permaneceu isolando o local até a chegada do Instituto Médico Legal (IML), que por sua vez, fez a remoção do corpo antes da chegada de um perito do Instituto de Criminalística. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a remoção foi autorizada pela direção do IML e da própria equipe da PM, pois o perito estava atendendo a outra ocorrência no interior do estado. O local do crime permaneceu isolado para garantir a realização da perícia, mesmo sem o corpo. O caso já é investigado pelo Departamento de Homicídios da Polícia Civil (DHPP).

Criança morta – Ao todo, 25 assassinatos foram registrados em Sergipe durante o feriado de Natal, conforme dados do IML. A maioria das mortes foi causada por armas de fogo. Entre os casos, está o do menino Luis Miguel Andrade dos Reis, de um ano e seis meses, que foi baleado na cabeça em um atentado ocorrido na noite de sábado, no bairro Olaria (zona norte da capital). O menino morreu na madrugada de segunda-feira, depois de passar o fim-de-semana internado em estado gravíssimo no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).

O crime foi cometido por dois motoqueiros armados que passaram pela porta da casa da família do garoto e deram vários tiros para dentro da residência, fugindo em seguida. Um dos disparos acertou a cabeça de Miguel, que brincava na sala e foi levado às pressas para o hospital. Como suspeitos, a família aponta dois ex-presidiários que já se envolveram em uma briga com um dos tios da criança. Ontem, o delegado Luiz Carlos Xavier, do DHPP, começou a ouvir os depoimentos de familiares e testemunhas e já definiu uma linha de investigação – que, no momento, é mantida em sigilo.

O outro caso é o do ex-presidiário José Maciel Gonçalo dos Santos, o "Neguinho", 30, que teve sua cabeça arrancada e encontrada junto a uma cerca de arame farpado, na periferia de Itabaiana (Agreste). O crime foi descoberto na segunda-feira por policiais que acharam a cabeça durante uma ronda. O corpo foi encontrado a 300 metros de distância da cabeça, nos fundos de um centro psicossocial da Prefeitura de Itabaiana, com marcas de tiros de pistola e sem um dos dedos. Segundo a polícia da cidade serrana, "Neguinho" já foi preso por tráfico de drogas e tinha sido liberado da prisão há uma semana.

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