Três funcionários do Huse são indiciados por roubo

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Polícia Civil indiciou três funcionários ter-ceirizados do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), acusados de desviar materiais que estavam estocados no almoxarifado do hospital, como luvas cirúrgicas e resmas de papel. O esquema foi investigado pela 8ª Delegacia Metropolitana, com a participação das diretorias geral, clínica e de segurança do Huse. Os acusados são o almoxarife Wincler Maxwell Vasconcelos Santos, 21 anos, o vigilante Alexsandro Messias dos Santos, 24, e o ex-funcionário Cleiton Santos Ribeiro, 24.

Segundo a polícia, os três confessaram os furtos e devolveram ao hospital um caminhão com todo o material que foi desviado. O inquérito policial sobre o caso foi concluído e entregue ontem à Justiça. Wincler, Cleiton e Alexsandro vão responder pelos crimes de peculato, receptação, corrupção ativa e corrupção passiva. O delegado-geral da Polícia Civil, Everton Santos, esclarece que, ao contrário do que chegou a ser informado, os acusados não foram presos durante as investigações devido a algumas circunstâncias.

"Neste caso, o crime foi elucidado, o fato já foi encaminhado à Justiça e nós deixamos de pedir as prisões deles porque estávamos vivenciando um momento de crise naquele momento, com as celas muito cheias nas delegacias. Acredito que a Justiça deve em breve se pronunciar acerca da custódia provisória destes indivíduos, disse Everton, informando que este pedido pode ser feito pelo Ministério Público. A polícia avaliou também que os acusados não têm antecedentes criminais, colaboraram com a investigação e cometeram crimes considerados de menor potencial ofensivo.

As investigações começaram em abril deste ano, quando servidores ligados à direção do Huse perceberam um aumento excessivo nos custos com materiais de trabalho, principalmente luvas cirúrgicas especiais. De acordo com a médica Lycia Diniz, superintendente do Huse, o aumento nos gastos foi muito alto, a ponto de ser pedida a realização de um curso sobre o uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), para que houvesse uma economia. "Os cálculos de quanto chegavam e quanto saiam não se encaixavam e foi a partir daí que começaram as suspeitas. Pedimos à gerência do setor para ter um olhar mais apurado da situação e começamos a acompanhar pelas câmeras de segurança. Daí, vimos muita coisa suspeita", relatou a médica.

A segurança do Huse passou a monitorar o almoxarifado e ouvir depoimentos de alguns funcionários. E denunciou o caso ao constatar que, entre os dias 19 e 28 de junho, Cleiton foi visto circulando pelo hospital e, com a ajuda de Wincler e de Alexsandro, colocavam as caixas de luvas e as resmas de papel em um carro. "O vigilante era sempre a mesma pessoa que ficava responsável pela guarita do ponto de acesso ao almoxarifado. E os desvios sempre ocorriam no turno de trabalho em que ele estava de serviço. Uma das imagens mostrava o Cleiton passando as luvas para o Maxsuel na frente do próprio vigilante, sem que ele tomasse qualquer tipo de providência", relata o delegado titular da 8ª DM, Cristiano Barreto.

Quem quer comprar? – A polícia descobriu ainda que o material era levado em um GM Astra de cor prata. Segundo o delegado, o carro está no nome da mãe de Cleiton e era adaptado, ou seja, tinha os bancos traseiros retirados para facilitar o transporte do material. Em seguida, tudo era guardado em uma chácara pertencente à avó do ex-funcionário, enquanto ele negociava a venda do produto desviado. "Cleiton informou em seu interrogatório que ofereceu o material em várias clínicas, salões de beleza e algumas lojas onde fazem tatuagens. Ele admitiu que teve muita dificuldade em vender, porque o material estava gravado com o nome do Ministério da Saúde e isso causava estranheza nos clientes", relatou Cristiano.  

Wincler foi o primeiro a ser descoberto pela polícia, que chegou depois a Cleiton e a Alexsandro. Os acusados se apresentaram na 8ª DM com seus advogados e se comprometeram a devolver todo o material furtado, que foi entregue na semana passada à direção do Huse. Ao todo, foram recuperadas 49 caixas de luvas e duas caixas de papel A4. A polícia e o hospital não souberam dizer o valor do prejuízo causado pelo esquema, mas confirmaram que Wincler e Alexsandro, que ainda trabalhavam na unidade, recebiam um pagamento entre R$ 100 e R$ 200 para cada dia em que os produtos eram retirados do almoxarifado.

Lycia Diniz, por sua vez, explicou que a falta deste material causava grande prejuízo no dia-a-dia do Huse. "Todo o procedimento dentro do hospital tem que ser feita com luvas, para proteger tanto o funcionário como o paciente. Quando não temos luvas, não podemos trabalhar. E isso tudo emperrava o procedimento e o trabalho do hospital. Papel, nem se fala. É com ele que fazemos receituários, formulários, a burocracia do hospital. Roubar é sempre um ato covarde, horrível e errado, mas roubar de um hospital público é roubar a vida de alguém, porque se alguém deixar de ser atendido por causa disso, é uma vida que se vai", criticou a gestora.

O caso motivou algumas mudanças no esquema de segurança do hospital, principalmente no almoxarifado, para evitar outros desvios de material. Agora, as caixas vazias não saem mais montadas do almoxarifado. Assim que ela for esvaziada ela é desmontada, aberta e colocada do lado de fora para recolhimento. Antes, essas caixas vazias eram recolhidas com algum tipo de material de roubo dentro delas. As equipes de funcionários também foram trocadas e reorientadas pelas empresas, a pedido da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS).

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