A Polícia Civil deve concluir, nos próximos dias, o inquérito policial que apurou a morte do fazendeiro Manoel Messias dos Santos, o "Manoel de Gregório", 57 anos, ex-vereador de Poço Redondo (Sertão), cujo corpo foi encontrado na tarde de segunda-feira, enterrado em uma cova rasa cavada dentro da própria fazenda onde morava, no povoado Santa Rosa do Ermírio, zona rural do município. Em uma reconstituição realizada na tarde de terça-feira, confirmou-se que Manoel, então dado como desaparecido, foi assassinado com pelo menos oito pauladas na cabeça, entre os dias 2 e 3 de junho deste ano.
A reconstituição foi realizada pelos delegados Jorge Eduardo Santos e Elder Sanches, da Delegacia Regional de Nossa Senhora da Glória (Sertão), que estavam investigando o suposto sumiço do fazendeiro. A reconstituição foi realizada na presença do vaqueiro Adevaldo de Jesus, que era funcionário da vítima e confessou ter executado o crime. Segundo ele, tudo foi feito a mando da esposa de Manoel, Maria José do Nascimento, a "Nemzinha". Os dois foram presos na tarde de segunda-feira, por determinação da justiça e devem ser formalmente indiciados pelo crime. A polícia apura ainda se houve a participação de um enteado do ex-vereador, Aglaerton Messias, 22 anos, que está sendo investigado.
De acordo com o delegado regional Jorge Eduardo, o ex-vereador costumava ir cedo para a fazenda para verificar a situação dos animais e o trabalho dos empregados. "Antes do crime acontecer, a esposa do Messias chamou o vaqueiro por várias vezes e perguntou-lhe se ele teria coragem de matar o marido. Ele aceitou, em troca de 10 tarefas de terra. Com isso, eles marcaram um dia que ele fosse a fazenda. No dia em que o Manoel foi pra fazenda e estava saindo de lá em uma moto, o vaqueiro efetuou a primeira paulada e a vítima caiu com o rosto para cima. Logo em seguida, o vaqueiro desferiu mais três pauladas na cabeça", narrou o delegado.
Ainda de acordo com o relato, o fazendeiro ainda estava desmaiado quando Adevaldo e Maria José teriam arrastado a vítima para dentro da casa grande. Ali, mais quatro golpes de madeira foram dadas em seu rosto. "Verificando que o Manoel não tinha mais condições de se recuperar, eles foram então até o fundo da fazenda e foram até uma plantação de milho, onde cavaram uma cova com uma enxada e uma alavanca. Depois eles retornaram à casa, verificaram que a vítima estava morta, colocaram o corpo em um carrinho de mão e o levaram para ser enterrado na cova rasa", disse ele.
Nos dias que se passaram, os familiares de Messias deram por falta do desaparecimento e a polícia foi oficialmente comunicada através de um ofício da Câmara Municipal de Poço Redondo. De acordo com Jorge Eduardo, "Nemzinha" sempre alegava que o esposo teria viajado para outro estado e retornaria depois de algum tempo. No entanto, os familiares e a polícia estranharam a versão. "Houve várias contradições e inconsistências, mas a população colaborou com várias informações e a polícia soube agir no momento correto para dar pelo menos um conforto à família do vereador", aponta o delegado.
A motivação do crime também foi desmentida pela polícia: os delegados do caso afirmam que a morte do fazendeiro foi motivada por uma disputa pela herança dos bens materiais da vítima, que eram ambicionados pela esposa. Maria José, no entanto, justificou em depoimento que tramou a morte do marido por ter sito traída várias vezes pelo marido durante o casamento. O delegado informou que os envolvidos no crime vão ser indiciados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. (Gabriel Damásio)


