Trio é preso por assaltos nas praias do Saco e Caueira

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Três dias após a inva-são de duas casas de veraneio na Praia do Saco, em Estância (Litoral Sul), a Polícia Civil prendeu três acusados de cometer estes e outros assaltos em residências e casas de veraneio nas praias de Estância, de Itaporanga D’Ajuda e da capital. Os acusados, Marcel Christian dos Santos, o ‘Topete’, 25 anos, Lucas da Silva Conceição e José Lucas Bazi dos Santos, o ‘Largamel’, ambos com 21 anos, foram presos ontem de manhã em suas respectivas casas, no bairro Mosqueiro (zona de expansão de Aracaju), em uma operação conjunta das delegacias de Estância, Itaporanga e 8ª Delegacia Metropolitana (8ª DM), além do Grupo Especial de Repressão e Busca (Gerb).

Segundo a polícia, eles foram reconhecidos por pelo menos seis vítimas de assaltos às residências, mas há a suspeita de que o trio tenha participado de outros crimes semelhantes. Isto porque os acusados já eram investigados desde antes. "Na verdade, esses crimes foram levantados não só neste feriado, mas infelizmente houve crimes como esses ocorreram desde o mês de agosto, não só na praia do Saco, mas também em Itaporanga e Aracaju. Os investigadores das três delegacias comungaram forças e chegamos a suspeitos em comum", disse David, referindo-se aos acusados.

‘Topete’, ‘Largamel’ e Lucas já estavam com a prisão preventiva decretada pela Comarca de Itaporanga, por causa de um assalto ocorrido no dia 15 de agosto, entre a Praia da Caueira e a Ponte Joel Silveira. Na ocasião, uma família que voltava da Praia do Abaís em direção à capital foi roubada. "A família estava retornando pela ponte e um dos pneus do carro dele baixou. O motorista desceu do carro para trocar e deixou lá a esposa, a cunhada e um bebê. Quando começou essa troca, ele percebeu que se aproximou um VW Gol branco, que parou do outro lado da pista. Desceram dois homens armados, anunciaram o assalto e começaram a exigir algumas coisas das vítimas. Alguns carros passavam, mas eles [os bandidos] paravam a ação e as vítimas ficaram sem conseguir avisar aos outros que estavam em situação de assalto", disse a delegada de Itaporanga, Mariana Amorim.

De acordo com ela, as primeiras pistas do trio surgiram quando o carro branco foi descrito pela vítima e os sistemas de GPS dos telefones celulares roubados das vítimas começaram a ser rastreados. "Por meio do depoimento da vítima, tivemos acesso tanto à placa do carro quanto ao registro da movimentação do trio, que era feito pelo telefone celular. A partir daí, os policiais entraram em diligências e descobriram que este carro estava circulando pelo Mosqueiro. Descobrimos também que esse Gol branco estava em uma borracharia e percebemos que eles trocaram uma letra da placa com uma fita adesiva", explicou Mariana, afirmando que o primeiro a ser preso foi ‘Topete’, apontado como o que conduzia o veículo durante os assaltos. Lucas e ‘Largamel’ foram detidos em seguida e reconhecidos pelas vítimas de Itaporanga, através de fotografias.

O reconhecimento também aconteceu quanto aos assaltos ocorridos no Saco, cuja ação foi considerada parecida com a do assalto da Caueira. As residências foram invadidas por dois homens armados que renderam todos os veranistas e recolheram dinheiro, joias e outros pertences. De acordo com André David, a atuação dos suspeitos pode ser um exemplo de da migração de criminosos para outras áreas. "De fato, eles estavam migrando, e é isso que está ocorrendo mesmo no estado. Até porque existe a ação da polícia, seja da Polícia Civil, da Polícia Militar e, no caso de Estância, da Guarda Municipal, que inibe a marginalidade local, mas há criminosos de outros municípios que temam em se aventurar e agir pelas cidades do interior. Isso até dificulta, mas não impossibilita as investigações", disse David.  

Negaram – Os três acusados foram apresentados aos jornalistas e negaram as afirmações da polícia, afirmando ser inocentes. "Isso aí não ocorreu, nem a história do carro e nem da fita adesiva. No domingo, no dia desse arrastão, eu passei o dia todo em casa, fui tomar banho na maré e nem saí, porque o carro estava quebrado. Não vi fluxo nenhum de alguém pegar meu carro pra sair. Se a vítima me reconheceu, reconheceu errado, porque eu não estava nesses lugares", defendeu-se ‘Topete’. ‘Largamel’, por sua vez, disse que conhece os outros acusados apenas de vista e que os assaltos não aconteceram. "Tudo isso que está acontecendo não passa de uma farsa. Eu só fui preso uma vez porque comprei uma moto roubada, e nunca roubei nada de ninguém. Não sou o que dizem", reclama o acusado.

A polícia afirma ainda que outros dois homens que atuavam nos assaltos já foram presos anteriormente e a participação de outros suspeitos nos crimes ainda é investigada, dem como o paradeiro das armas usadas e dos objetos roubados das casas. "Pedimos que as pessoas que foram vítimas desses crimes procurem a Delegacia, seja de Itaporanga ou de Estância, para que façam o reconhecimento dos suspeitos. Até para que sejam expedidos novos mandados de prisão contra os acusados", finalizou Mariana.

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