UFS suspende inicio de semestre letivo

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

A Pró-reitoria de Graduação e de Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Sergipe (UFS) comunicou oficialmente ontem a suspensão do início das aulas programadas para começarem na próxima segunda-feira, 07. A direção da instituição atribui a medida à greve dos trabalhadores técnico-administrativos que completa dez dias nesta sexta-feira.  
Em nota, a universidade cita uma lista com as razões que levaram a adoção da medida e declara que a reitoria sempre se colocou à disposição para abrir e manter o diálogo.

Entre os motivos para suspender o inicio do ano letivo, a universidade alega que mesmo diante da abertura das negociações o Comando de Greve decidiu fechar a entrada do  Centro de Processamento de Dados (CPD) com cadeados, impossibilitando até mesmo a entrada dos empregados terceirizados, que não estão em greve.

A nota relata ainda que os serviços prestados à Universidade pelo Centro de Processamento de Dados (CPD) estão interrompidos desde o dia 27 de março de 2014, o que impossibilitou o processamento da matrícula na sua segunda fase.

Na nota, a direção da UFS aponta ainda a impossibilidade da avaliação técnica dos alunos com vulnerabilidade sócio-econômica inscritos nos programas de bolsas/auxílios previstos no edital 01/2014/PROEST e que mesmo depois de o Comando de Greve ser recebido por diversas vezes para negociações e diálogo, os encaminhamentos propostos pela reitoria até esta data não lograram o êxito esperado.
"A Universidade Federal de Sergipe resolve suspender o início do semestre letivo 2014.1, previsto para o dia 7 de abril, até que a situação no Centro de Processamento de Dados (CPD) se normalize. A nova data para o início das aulas será definida e divulgada depois que a situação administrativa da Universidade for regularizada", esclarece a nota.  

A greve dos servidores tem como objetivo forçar o cumprimento, por parte do Governo Federal, do acordo firmado nas negociações da greve em 2012, quando houve a última grande paralisação da categoria. A principal reivindicação dos técnico-administrativos é a redução da jornada de trabalho das atuais 40 horas para 30 horas semanais, com turnos contínuos de 6 horas e mantendo os setores em funcionamento por 12 horas corridas.

O Comando Local de Greve esteve reunido nesta semana com a reitoria para mais uma tentativa de negociação, mas a proposta apresentada por parte da reitoria sobre a redução da carga horária não agradou aos servidores.
Ao receber a proposta da reitoria, uma ampla assembleia com todos os Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação da instituição foi convocada para dar prosseguimento à negociação, mas não houve avanço.

Como primeira iniciativa da greve dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação da UFS, o Comando Local de Greve deliberou pelo fechamento do prédio da Central de Processamento de Dados (CPD) da instituição. A ação teve início logo nas primeiras horas do dia 27, após diálogo com os trabalhadores daquele setor – alguns dos quais já aderiram integralmente ao movimento paredista – e em consenso com a chefia da equipe de técnicos que reconheceu a legitimidade da greve.
Essa ação foi tomada a partir de uma prática comum da universidade de alocar trabalhadores terceirizados e estudantes bolsistas da instituição para, de forma sobrecarregada, exercer alguns trabalhos e funções dos trabalhadores efetivos da UFS. Considerando que a força do movimento se efetiva na paralisação das atividades da universidade, o fechamento de setores específicos foi considerado essencial para fortalecer ainda mais a luta da categoria nesse momento.

Os técnicos paralisaram as atividades no dia 26 de março, e desde o dia 27 estão bloqueando a entrada do Centro de Processamento de Dados da Universidade (CPD), setor estratégico da universidade, como forma de forçar que a administração da UFS a abrir canal de negociação. Com o fechamento do setor, ficam impedidos os processamentos de matrículas e das listas de excedentes do Enem/Sisu 2014.
Durante reunião realizada na última quarta-feira, 2, os trabalhadores decidiram continuar com o bloqueio da entrada do CPD da Universidade. Na manhã de ontem, a categoria realizou nova assembleia para avaliar a contraproposta da reitoria, apresentada em reunião com o reitor Ângelo Antoniolli na quarta-feira à tarde.
De acordo com a categoria, a efetivação das 30 horas semanais irá beneficiar também a comunidade acadêmica e público externo que busca atendimento nos setores diversos. Uma reunião entre os servidores e o reitor Ângelo Antoniolli está marcado para hoje, às 9h. Na amanhã de ontem, durante uma assembleia, os profissionais decidiram negociar o desbloqueio do CPD. A UFS informou que divulgará novo calendário letivo.

Compartilhe esta notícia