* Prof. Dr. Elyson Carvalho
No dia 24 de março de 2026, a atual gestão da Universidade Federal de Sergipe completou um ano. Estando sob a liderança do Professor André Maurício, como Reitor, e da Professora Silvana Bretas, como vice-reitora, a UFS registrou grandes avanços em um período muito curto, muitos dos quais representavam demandas históricas da comunidade universitária, como a climatização do Resun, as criações da Pró-Reitoria de Equidade Racial e Ações Afirmativas e da PróReitoria de Acessibilidade e Ações Inclusivas, o aumento do valor dos auxílios da Assistência Estudantil, ou a ampliação do atendimento de psiquiatras e psicólogos para a comunidade acadêmica.
Mais ainda, a comunidade acadêmica pôde comemorar a efetiva criação do Campus de Inovação de Estância, o reconhecimento dos casos de sintomas graves associados ao fluxo menstrual para o regime de exercícios domiciliares, a criação do curso de IA em São Cristóvão e dos cursos de Psicologia e Direito no Campus de Itabaiana, a criação de vagas nos cursos de graduação para pessoas trans e a criação do Núcleo Ambulatorial Trans Magnólia no Hospital Universitário de Aracaju, mas também a criação da Companhia Jovem de Dança e da Escola de Ballet. Seguindo a trilha de grandes realizações, a UFS se tornou a primeira universidade pública a instalar Conselho Editorial de Rádio e TV, modernizou e viabilizou o forte crescimento da FAPESE, além de ter inaugurado o Centro de Infusão e Terapias Assistidas e o Centro de Simulações Realísticas, ambos no Hospital Universitário de Aracaju.
Quando se olha para esse primeiro ano de gestão, o número de conquistas impressiona, mas encontramos no discurso de posse do Professor André Maurício, realizado na ocasião da visita do Ministro da Educação, Camilo Santana, quase um ano após a nomeação como Reitor, uma pista do maior legado dessa gestão até o momento: a ampliação concreta da democracia na UFS, em um nível que a Universidade ainda não havia experimentado. Mais do que avanços acadêmicos e administrativos, o legado até aqui é político, institucional e sobretudo simbólico, com impactos que ultrapassam os muros da Universidade.
A universidade pública não é apenas um espaço de ensino, pesquisa e extensão. Ela é um laboratório vivo onde a pluralidade de ideias deve florescer, que o dissenso precisa ser respeitado e que as decisões coletivas devem ser construídas com transparência e responsabilidade. Por isso, quando a universidade avança em democracia, não avança apenas para dentro de si mesma.
Ela projeta esse valor para toda a sociedade, se tornando, mais que uma referência, um farol da democracia para todo o Estado.
Esse primeiro ano da gestão da UFS trouxe avanços concretos e inequívocos dessa mudança de cultura. A gestão deu seus primeiros passos com transparência das contas e orçamento para a imprensa, para as entidades representativas e para a comunidade acadêmica, assumindo um compromisso com a verdade pública e a participação social, ao passo que também atendeu a reivindicação da categoria de técnicos-administrativos em educação, com a ampliação da participação da categoria na Comissão Permanente de Flexibilização de Jornada, em reconhecimento de que a democracia universitária se faz com escuta real dos trabalhadores e trabalhadoras que sustentam o funcionamento diário da instituição. Quando a categoria ganha espaço de deliberação, a universidade fica mais justa, mais legítima e mais conectada com sua própria base.
Também merece destaque a disposição da gestão para discutir o estatuto de forma ampla e democrática, dando início ao sonhado e tão reivindicado processo de Estatuinte, com a previsão de que todos os delegados estatuintes sejam escolhidos por eleição. Esse apetite pela democracia também pode ser observado com a devolução da condução das consultas para eleições às entidades representativas, garantido a paridade das categorias e reforçando o reconhecimento da legitimidade das entidades representativas da instituição.
Ao lado disso, a criação do mecanismo de distribuição de relatos nos conselhos superiores por sorteio garante a diversificação da representação e a consequente redução de assimetrias históricas dentro dos espaços decisórios, ao passo que rompe com o modelo tradicionalmente usado em conselhos, em que há uma forte concentração de poder.
Na mesma direção, a gestão implementou a descentralização dos recursos de capital, permitindo que centros e campi definam com autonomia seus investimentos, uma vez que entende que a democracia também se expressa na forma como se distribuem os recursos públicos. A divisão transparente e justa dos recursos de capital, ainda que os recursos sejam escassos, fortalece a autonomia das unidades, aumentando a participação efetiva da comunidade acadêmica na destinação de recursos.
Esse conjunto de medidas mostra que a democracia não se resume a discurso. Ela se materializa em procedimentos, escolhas e atitudes. Isso faz pensar que o maior ganho do primeiro ano da atual gestão da UFS tenha sido transformar a democratização da universidade em prática concreta, cotidiana e verificável.
Ao completar um ano da atual gestão, a UFS, fortalecida democraticamente, mostra ao Estado, à sociedade e às futuras gerações que a vida pública pode ser regida pela transparência, pela participação e pelo apreço à diversidade de vozes. Nesse sentido, a UFS expande seu papel como instituição de ensino superior para se tonar um patrimônio democrático de Sergipe.
Resta aqui felicitar aos que contribuíram para essa revolução e parabenizar os verdadeiros beneficiados: a sociedade sergipana.
*Elyson Carvalho é professor do Departamento de Engenharia Elétrica, membro permanente do Programa de Pós-graduação em Engenharia Elétrica e atualmente ocupa o cargo de Superintendente de Governança Institucional, todos na Universidade Federal de Sergipe.


