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Um debate "sujo" para um Brasil passado a limpo!


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Publicado em 08 de julho de 2012
Por Jornal Do Dia


* Almeida Lima

Começa a campanha para a eleição de prefeitos, vices e vereadores em todos os 5564 municípios do país. Esta é uma oportunidade para se passar a limpo o Brasil. Diariamente a imprensa noticia atos de corrupção e mostra a indignação da sociedade. É corrupção em todos os níveis do poder e em todos os poderes. A desonestidade está presente no governo federal, nos governos estaduais e municipais.

É verdade que instituições como o Ministério Público, a Justiça as Polícias e órgãos de controle podem e devem contribuir para a limpeza do Brasil, a exemplo do que faz a imprensa e outros setores da sociedade. Mas isso não é tudo. A grande tarefa deve ser a preventiva e ela está a cargo do eleitor que pode e deve evitar que o cancro da corrupção aconteça. Basta que o eleitor procure se informar acerca de todos os fatos que envolvem a vida pública e privada dos candidatos e votem consciente da importância de sua decisão.

Afinal, não podemos esquecer que a classe política que aí está exercendo o poder foi eleita pela sociedade. Ela não foi imposta como nas ditaduras.

Eleitor não deve ter a memória curta. Quantos e quantos governadores e prefeitos concluíram mandatos desgastados e enxovalhados pelo povo diante do desastre que cometeram em seus governos, mas, quatro anos depois, diante do desgaste do sucessor, é como se nada tivesse acontecido com o antecessor, e as pessoas esquecem tudo e tornam a elegê-lo?

Sergipe não teve um único governador nos últimos trinta anos que não tivesse saído do governo desgastado, inclusive por atos de corrupção, mas que o eleitor não tivesse, quatro anos depois, esquecido de suas mazelas e concedido outro mandato.

Que essa campanha eleitoral sirva para estabelecer um novo padrão de comportamento entre os eleitores. Investigar e debater o passado dos candidatos é um dever cívico. É exercício legítimo da cidadania. É uma postura nobre. Não debater e não investigar o passado dos candidatos, inclusive sob a falsa alegação de que isso é "baixar o nível", ou é "coisa suja", ou afirmar que a campanha eleitoral deve ser, apenas, para apresentar propostas, é assumir a postura de conivência, de cumplicidade, de conluio. Esse é o claro comportamento daqueles candidatos que têm "rabo preso", ou de seus apoiadores coautores e coniventes com a sujeira praticada.

Por isso que eu afirmo que sujo não é o debate, pois a sujeira está é na corrupção praticada e não no seu esclarecimento ou na sua denúncia. Vou mais além e afirmo que, mesmo que o debate pareça "sujo", é melhor que assim seja para termos a oportunidade de passar a limpo o Brasil. Se temos que conviver com sujeira, que seja a do discurso da campanha eleitoral, para evitar que a sujeira seja aquela praticada com o dinheiro público durante o exercício do mandato de prefeito.

A propósito, tem dado o que falar o desfecho da aliança firmada entre o candidato João Alves e o grupo Amorim. O deputado federal Mendonça Prado, genro do ex-governador e agora candidato a prefeito, tem dito "cobras e lagartas" dessa aliança. De tão enojado, o deputado afirmou que estará fora da campanha do sogro por considerar o grupo Amorim sem qualificação moral, e que por isso não sobe no mesmo palanque "ao lado dessa gente". O deputado não diz meias palavras nem faz ilações ou insinuações, Mendonça Prado afirma que onde eles estão o interesse é dinheiro.

Como se não bastassem essas afirmações, na última sexta-feira, a Senhora Ana Alves, esposa do deputado federal Mendonça Prado e filha de João Alves, em defesa do seu marido, afirmou que "os Amorim não conhecem honra, não têm moral e fazem da política um mercado", além de dizer que eles fazem política rasteira. A Senhora Ana Alves ainda afirmou que "gostaria de saber desse povo, que não tem capacidade, de onde vem tanto poderio", e concluiu afirmando que "vou estar sempre ao lado de meu marido e onde ele estiver eu vou estar. Não tem lógica subir no palanque de meu pai ao lado desse povo. Afinal, quem se mistura com porcos, farelo come".

É bom que essas verdades venham à tona agora. Afinal, a aliança de João Alves com Amorim não tem explicação política. Só há explicação no mundo dos negócios, no mercado, como afirmou a Senhora Ana Alves. Tratou-se mesmo foi de um negócio realizado na calada da noite, às duas horas da madrugada e vergonhosamente divulgado no dia seguinte em plena convenção. Por isso que eu afirmo: mesmo que sujo fosse esse debate, e que não é, torna-se bem melhor que a "sujeira" aconteça agora durante a campanha, do que depois dentro da prefeitura, pois somente João Alves e os Amorim sabem do negócio que fizeram.
A responsabilidade pela eleição é do povo. O eleitor tem o dever de eleger candidatos com passado idôneo para que depois não sofra a decepção ao tomar conhecimento de uma Operação Navalha ou do caso FURBRAS que trouxeram prejuízo de milhões de reais para os cofres públicos.

* Almeida Lima é deputado federal (PPS/SE). Foi senador da República e prefeito de Aracaju

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