Um dia de tumultos nas agências bancárias

Milton Alves Júnior

O primeiro dia de ex-pediente bancário após uma greve que durou 20 dias foi marcado em Sergipe por longas filas e lamentações por parte dos clientes que, talvez por ilusão, desejavam ser atendidos dentro da lei dos 15 minutos. Na capital, Aracaju, as principais agências amanheceram com servidores removendo os adesivos indicativos de greve enquanto centenas de pessoas começavam a se aglomerar em filas na espera por um procedimento bancário. Na avaliação feita pelo Sindicato dos Bancários do Estado de Sergipe (SEEB), a perspectiva é de movimento expressivo até a próxima semana, quando a demanda acumulada passa a ser atendida.
Ansioso pela liberação de um financiamento imobiliário, o publicitário Hélder Soares, de 27 anos, disse não ter sossegado nas últimas três semanas em decorrência do natural atraso no repasse financeiro que fora pedido na primeira semana de setembro e estava previsto para sair no último dia 16. Com o início da greve, é possível que esta solicitação seja retardada por mais 15 dias úteis, o que gera, além de muita dor de cabeça e noites mal dormidas, altos juros cobrados pelas construtoras que não se mostram interessados em suspender estas cobranças em decorrência da greve dos bancários.
Para o cliente de uma agência nacional e da rede particular, é preciso que o tempo extra de trabalho garantido pela categoria seja realmente cumprido. "Eu vim logo cedo aqui para saber como é que anda o meu processo de financiamento. Já perdi 20 dias de andamento e isso gera juros do tamanho do mundo. Para se ter uma ideia, na semana passada eu tinha feito os cálculos e já estava em 1.500 reais de juros por não ter pago o valor do imóvel no dia certo através do financiamento", afirmou Hélder.
Apesar dos impasses, o cliente disse estar um pouco aliviado com o fim da paralisação que contabilizou 140 agências espalhadas por Sergipe. "Pelo menos a greve acabou e agora é cobrar do banco que agilize logo o meu pedido. Essa hora extra é essencial para fazer andar as demandas que ficam emperradas", disse.
Na luta, a classe trabalhadora pleiteava um reajuste salarial de 16%, sendo 5,7% de aumento real sobre a inflação, participação nos lucros e resultados (PLR) de três salários mais parcela fixa de R$ 7.246,82; além do repasse de décimo quarto salário. Acabaram entrando em acordo com a Federação Nacional de Bancos (Fenaban) e fecharam em pouco mais de 10% de reajuste, além de 14% de reajuste no ticket alimentação e extinção da compensação total das horas não trabalhadas nas quase três semana de greve. Firmado em acordo, os bancos atuarão uma hora a mais por dia até a segunda semana de dezembro. Esse acordo não agradou a população que permanece reclamando da falta de assistência bancária.
De acordo com a gerente comercia Letícia Aguiar, é preciso entender que esta hora apontada como extra só será cumprida em regime fechado, ou seja, sem atender nenhum cliente na região interna das agências bancárias. Para ela, o ideal é que fossem pelo menos duas horas de atuação complementar em dias alternados. "Seria segunda, quarta e sexta nessa semana, por exemplo", afirmou. Ao todo 4.500 profissionais aderiram ao movimento.

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