Uma atriz sobe ao palco

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
É muito raro. Por vezes, 
no entanto, um ator 
sobe ao palco virado em outro. Eu mesmo só vi essa mágica acontecer duas vezes. A primeira, ainda menino, quando Isaac Galvão e Luiz Carlos Reis montaram ‘Esperando Godot’ no teatro do Cultart. Depois, quando Isabel Santos virou Piedade, uma senhora mortificada pela faina diária, importunada pelos servidores da ordem, bem na frente de meu nariz.
Foi no teatro João Costa, batizado com o nome de um professor muito querido, no Centro Cultural de Aracaju. ‘Pieadade, a seu dispor’ integrava um festival de eventos patrocinados pela Lei Aldir Blanc, com a chancela da Prefeitura. Naquele dia, a cidade voltou a respirar a plenos pulmões, com todo o cuidado, sem um pingo de medo. Já passava da hora de voltarmos todos a confraternizar, dentro dos limites cabíveis. Apartado do convívio com o próximo, ninguém há de ser feliz.
Isabel era um retrato vivo da revolta resignada, não suportava mais nada. Sua voz rouca arranhava os ouvidos da plateia. Os ombros caídos atestavam, ela estava por um fio. Até a respiração da atriz, pesada, cansada, comunicava o seu desamparo. Sozinha sob os holofotes, no meio do mundo, pessoa e personagem era uma coisa só, o mesmo pedaço estragado de carne barata, à mercê da força de quem pode tudo, abandonada à própria sorte e o arbítrio dos homens.
Sobre o texto de Euler Lopes já não resta nada por dizer. Aqui, no entanto, transparece de modo muito saliente a empatia exigida aos escritores em dias de tumulto. A direção de Rita Maia, por sua vez, pode até abusar das interferências sonoras, mas dá a Isabel o controle necessário sobre a mis èn scene. Por fim, convém se ater à reação do prezado público: Naquela oportunidade, estivemos todos completamente absortos, na mão da atriz o tempo inteiro, do começo ao fim.
Isabel Santos volta a se apresentar no dia 08 de outubro, às 21h10, desta vez com o premiado espetáculo ‘Senhora dos restos’, em evento on line promovido pelo Festival Nacional de Teatro de Congonhas. A dica é de graça.

Rian Santos

É muito raro. Por vezes,  no entanto, um ator  sobe ao palco virado em outro. Eu mesmo só vi essa mágica acontecer duas vezes. A primeira, ainda menino, quando Isaac Galvão e Luiz Carlos Reis montaram ‘Esperando Godot’ no teatro do Cultart. Depois, quando Isabel Santos virou Piedade, uma senhora mortificada pela faina diária, importunada pelos servidores da ordem, bem na frente de meu nariz.
Foi no teatro João Costa, batizado com o nome de um professor muito querido, no Centro Cultural de Aracaju. ‘Pieadade, a seu dispor’ integrava um festival de eventos patrocinados pela Lei Aldir Blanc, com a chancela da Prefeitura. Naquele dia, a cidade voltou a respirar a plenos pulmões, com todo o cuidado, sem um pingo de medo. Já passava da hora de voltarmos todos a confraternizar, dentro dos limites cabíveis. Apartado do convívio com o próximo, ninguém há de ser feliz.
Isabel era um retrato vivo da revolta resignada, não suportava mais nada. Sua voz rouca arranhava os ouvidos da plateia. Os ombros caídos atestavam, ela estava por um fio. Até a respiração da atriz, pesada, cansada, comunicava o seu desamparo. Sozinha sob os holofotes, no meio do mundo, pessoa e personagem era uma coisa só, o mesmo pedaço estragado de carne barata, à mercê da força de quem pode tudo, abandonada à própria sorte e o arbítrio dos homens.
Sobre o texto de Euler Lopes já não resta nada por dizer. Aqui, no entanto, transparece de modo muito saliente a empatia exigida aos escritores em dias de tumulto. A direção de Rita Maia, por sua vez, pode até abusar das interferências sonoras, mas dá a Isabel o controle necessário sobre a mis èn scene. Por fim, convém se ater à reação do prezado público: Naquela oportunidade, estivemos todos completamente absortos, na mão da atriz o tempo inteiro, do começo ao fim.
Isabel Santos volta a se apresentar no dia 08 de outubro, às 21h10, desta vez com o premiado espetáculo ‘Senhora dos restos’, em evento on line promovido pelo Festival Nacional de Teatro de Congonhas. A dica é de graça.

 

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