Uma guirlanda de chita

Rian Santos
riancalangodoido@yahoo.com.br
Toda diferente, a mi-
nha esposa. Foi ao 
centro de Aracaju, a fim de comprar os tecidos próprios para a confecção de uma guirlanda, e voltou para casa com meio metro de chita. Desperdício de tempo e dinheiro. Dona Eliene, a artesã disposta a transformar o pedaço de pano adequado em adereço natalino, recusou-se a dar proveito ao corte de fazenda barata que encheu os olhos da nora. Mainha é como todo mundo. Natal, para ela, evoca a neve dos contos e uma explosão de luz.
Eu não sou besta de tomar partido em tal disputa artística, mas me divirto com a ideia de um Papai Noel moreno, coroado com um chapéu de couro, transpirando baldes num forró lascado. Sim, a imagem é fruto de um delírio. Mas o inverno de isopor nas vitrines do Shopping Center, convenhamos, também não fica atrás.
Os amigos com filhos pequenos já montaram os pinheiros de plástico, sempre caríssimos!, aos pés dos quais deixarão presentes para as crianças, no dia marcado em todos os calendários ocidentais. Não o fizeram sem resmungos, entretanto. Os enfeites indispensáveis aos propósitos de uma verdadeira árvore de natal são todos muito delicados. Ano após ano, a árvore de mentira fica menos vistosa, menos orgulhosa. Seria mais fácil cobrir os seus galhos artificiais com bandeiras de São João.
Por sorte, o prefeito Edvaldo Nogueira tem mais juízo do que a minha senhora. A mal falada aproximação com o deputado Laércio Oliveira brilha nas esquinas da cidade na forma de anjos, castiçais e auréolas de lâmpadas elétricas. O Natal Iluminado promovido pela Prefeitura, com o providencial apoio da Federação do Comércio, observa todos os contornos clássicos das festas de fim de ano, sem nenhuma invenção de pendor regionalista mais ou menos original.
Há gosto para tudo nesse mundo. Guirlanda de chita, bem entendido, só para eu mesmo e Gabi.

Toda diferente, a mi- nha esposa. Foi ao  centro de Aracaju, a fim de comprar os tecidos próprios para a confecção de uma guirlanda, e voltou para casa com meio metro de chita. Desperdício de tempo e dinheiro. Dona Eliene, a artesã disposta a transformar o pedaço de pano adequado em adereço natalino, recusou-se a dar proveito ao corte de fazenda barata que encheu os olhos da nora. Mainha é como todo mundo. Natal, para ela, evoca a neve dos contos e uma explosão de luz.

Eu não sou besta de tomar partido em tal disputa artística, mas me divirto com a ideia de um Papai Noel moreno, coroado com um chapéu de couro, transpirando baldes num forró lascado. Sim, a imagem é fruto de um delírio. Mas o inverno de isopor nas vitrines do Shopping Center, convenhamos, também não fica atrás.

Os amigos com filhos pequenos já montaram os pinheiros de plástico, sempre caríssimos!, aos pés dos quais deixarão presentes para as crianças, no dia marcado em todos os calendários ocidentais. Não o fizeram sem resmungos, entretanto. Os enfeites indispensáveis aos propósitos de uma verdadeira árvore de natal são todos muito delicados. Ano após ano, a árvore de mentira fica menos vistosa, menos orgulhosa. Seria mais fácil cobrir os seus galhos artificiais com bandeiras de São João.

Por sorte, o prefeito Edvaldo Nogueira tem mais juízo do que a minha senhora. A mal falada aproximação com o deputado Laércio Oliveira brilha nas esquinas da cidade na forma de anjos, castiçais e auréolas de lâmpadas elétricas. O Natal Iluminado promovido pela Prefeitura, com o providencial apoio da Federação do Comércio, observa todos os contornos clássicos das festas de fim de ano, sem nenhuma invenção de pendor regionalista mais ou menos original.
Há gosto para tudo nesse mundo. Guirlanda de chita, bem entendido, só para eu mesmo e Gabi.

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