Terça, 16 De Julho De 2024
       
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Uma palhaça só


Publicado em 26 de setembro de 2023
Por Jornal Do Dia Se


Caras e bocas

Rian Santos – riansantos@jornaldodiase.com.br
 
Não há, em Aracaju, duas atrizes com o talento cômico de Paula Auday. Apresente-lhe uma plateia de adolescentes atormentados por hormônios e smartphones, ela os terá na palma da mão.
O espetáculo ‘Procura-se uma palhaça só’, na programação do Festival de Artes Cênicas promovido pelo governo de Sergipe, é a maior prova. No palco do Teatro Atheneu, a semana passada, a palhaça Mingau Mole não precisou dizer uma única palavra para prender a atenção da horda aboletada nas poltronas da casa.
O roteiro do espetáculo concebido e estrelado por Paula Audayusa e abusa dos recursos próprios do universo circense. Mímica, acrobacia, paródia, todo o repertorio de gestos, adereços, caras e bocas, típicos da palhaçaria, pontuam a montagem livremente inspirada em ‘A hora da estrela’, de Clarice Lispector. Em lugar da melancolia pronunciada em forma de excelente literatura, contudo, sobra disposição para o absurdo e a gaitada.
Aqui, a solidão intransponível dos românticos não passa de uma tênue linha condutora.Há uma situação posta, delimitada pela relação de uma secretária sonhadora com um programa de rádio. Ela ri, ela chora e, sobretudo, ela faz graça. 
À frente da companhia Cigari há bons 14 anos, Paula Auday dispensou a cor esmaecida de uma lona surrada, há tempos. Um tamborete, uma praça, um terreno baldio, mais a atenção sincera de uma plateia disposta à alegria derramada, eis o circo.
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Capa do dia
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