Cândida Oliveira
Clientes dos planos de saúde estão cada vez mais revoltados com a redução do quadro médico e a demora para marcação de exames e consultas. Especialistas como endocrinologistas, oftalmologistas, reumatologistas, dermatologistas, entre outros, são cada vez mais escassos nas listas dos planos. Há casos de pacientes que precisam de uma consulta o mais rápido possível e o que conseguem nas recepções das clínicas são vagas para março de 2014.
A aposentada Josefa dos Santos, 70 anos, que paga mensalmente em torno de R$ 700 por um plano nacional, enfermaria, não está satisfeita com o serviço prestado por seu plano de saúde. "Já passei por situação vexatória não apenas com consultas, mas em clínicas para realizar exames", relatou. Sua endocrinologista também se descredenciou e ela ficou se sentindo perdida. "Há anos ela me acompanhava e em apenas uma ligação, sua atendente avisou que ela não me atenderia mais pelo meu plano de saúde. Fiquei sem saber o que fazer, pois todo meu histórico estava com ela".
Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed/SE), José Menezes, a falta de especialistas nos planos de saúde deve aumentar, pois o valor pago por consulta é irrisório. "Hoje boa parte dos planos paga entre R$ 30 e R$ 40 por consulta e ainda há atraso de pagamento, ninguém quer trabalhar sem valorização", reclamou ele. Inclusive ele que é especialista em reumatologia deixou de atender por meio dos planos de saúde há mais de 3 anos.
Ele relatou que o reajuste dos planos de saúde acontece de acordo com a inflação, no entanto, o pagamento realizado aos médicos não acontece dessa forma. "Há mais de 10 anos a negociação com os planos não corrige a inflação, por isso o valor da consulta está tão defasado", explicou José Menezes. O médico disse ainda que os planos da Petrobras e Banco do Brasil pagam os melhores valores na consulta, R$ 80. No geral, os pediatras também avançaram nas negociações.
Ele denuncia ainda que os planos de saúde têm limitado a atuação dos médicos, pois controla a solicitação de exames. "Há exames que consideramos essenciais no diagnóstico de doenças, mas os planos não liberam a realização".
Unimed – Por meio da assessoria de comunicação, a Unimed informou que em Sergipe existe uma notória carência de profissionais médicos em algumas especialidades cuja procura tem se acentuado nos últimos meses. No entanto, a Unimed Sergipe tem envidado esforços para contornar essa situação e disponibilizar a consulta médica dentro do prazo solicitado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar.
Para isso, criou a Central de Agendamento, atualmente acessível através do sistema de telefonia 24H (Call Center), e implantou o Centro de Especialidades Clínicas, onde mantém atendimento diário para as especialidades clínica médica, cardiologia, ginecologia, dermatologia, ortopedia, neurologia pediátrica, infectologia, psiquiatria, nutrição e as especialidades questionadas: endocrinologia e pediatria. Inclusive, o Hospital Unimed também permanece com o atendimento de urgência pediátrica 24H.
Diante do compromisso legal e contratual assumido com seus beneficiários, a Unimed Sergipe também tem analisado ainda a possibilidade de celebração de parcerias com outras singulares no sentido de promover o intercâmbio de especialistas de outros Estados para fins de suprimento das necessidades assistenciais, quando haja efetivo esgotamento da capacidade de absorção por parte dos médicos sergipanos.


