Usuários e Coren denunciam atendimento precário em UPAs

Milton Alves Júnior

 

Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que necessitam de atendimento especializado na Unidade Fernando Franco, zona Sul de Aracaju, estão denunciando a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) por falta de assistência de qualidade. De acordo com os pacientes, paralelo à ausência de profissionais suficientes para atender a demanda diária de consultas e exames, a falta de medicamentos e utensílios básicos está precarizando o sistema. A série de críticas está sendo apresentada ao Ministério Público Estadual (MPE), através da Promotoria de Justiça de Direitos à Saúde. 

Dentre os fatos apresentados está o de uma turista paulistana. De acordo com informações apresentadas ao Jornal do Dia, a paciente teria sentido mal na última quinta-feira (04), quando foi encaminhada até a unidade. Enquanto aguardava – deitada em uma maca, pelo atendimento, ela teria se queixado de frio e solicitou um lençol; diante da indisponibilidade do cobertor, os trabalhadores da unidade concederam apenas pedaços de papel que, geralmente, são utilizados para cobrir as macas. A atitude chamou a atenção dos funcionários do hotel que acompanhavam a hóspede. 

Se a situação no Fernando Franco não confere com o exigido pelo Ministério da Saúde e poder judiciário, no Nestor Piva, situado na zona Norte não é diferente. Após receber denúncias, a direção do Conselho Regional de Enfermagem do Estado de Sergipe (Coren/SE), promoveu uma fiscalização na UPA e constatou uma série de irregularidades. Dentre elas a falta de enfermeiros para acomode a escala mínima, medicamentos e acomodação adequada para os pacientes. No momento da vistoria o Coren flagrou usuários do SUS sendo atendidos em cadeiras plásticas. 

Diante das condições identificadas, o conselho informou que emitirá relatório de fiscalização notificando as autoridades competentes sobre as irregularidades. Não havendo manifestação dos gestores, o Coren deverá entrar com Ação Civil Pública (ACP) contra o município de Aracaju visto que fiscalizações anteriores também apontavam problemas semelhantes que não foram solucionados. Ressalta-se ainda que os fiscais se depararam com pacientes graves acomodados em camas sem grade e equipamentos danificados; internamento sub-utilizado, ausência de carrinhos de urgência equipados em todo o hospital e a inexistência dos Manuais e Protocolos de Enfermagem. 

Sobre as queixas apresentadas nas duas maiores unidades administradas pela SMS, a Prefeitura de Aracaju informou por meio de nota que desde o início do ano vem buscando promover melhorias de forma gradativa. Dentre esses progressos está o reposicionamento de setores estratégicos e a implantação do atendimento por classificação de risco, gerando agilização do atendimento e assistência qualificada. 

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