A operária Vera Lúcia, candidata do PSTU à Prefeitura de Aracaju, diz que o objetivo principal de sua campanha é apresentar um programa que vá a fundo nos problemas que os trabalhadores sentem todos os dias. Admite que as chances de vitória são sempre reduzidas, "afinal, as regras só favorecem aqueles que são ligados aos grandes empresários". Mas entende que chance de vitória sempre há. "Saber que 7% dos eleitores enxergam no nosso partido uma alternativa já é uma grande vitória. Durante a campanha queremos ampliar ainda mais esse número e quem sabe chegar ao segundo turno". Ela também faz uma análise do quadro político atual.
Jornal do Dia – Qual o objetivo da sua campanha à PMA? A senhora acha que tem chances de vitória?
Vera Lúcia – O objetivo de nossa campanha é antes de mais nada apresentar um programa que vá a fundo nos problemas que os trabalhadores sentem todos os dias. Queremos mostrar que há alternativa. Ninguém precisa votar naqueles que sempre governaram a nossa cidade e nunca atenderam as demandas dos trabalhadores. Queremos denunciar também a farsa que são as eleições, que praticamente exclui o nosso partido. Teremos apenas oito segundos no horário eleitoral. Mesmo assim, a última pesquisa do Ibope demonstra que estamos bem e que a população quer alternativas. As chances são sempre reduzidas, afinal, as regras só favorecem aqueles que são ligados aos grandes empresários. Mas chance de vitória sempre há. Saber que 7% dos eleitores enxergam no nosso partido uma alternativa já é uma grande vitória. Durante a campanha queremos ampliar ainda mais esse número e quem sabem chegar ao segundo turno.
JD – Por que não foi possível uma aliança com outros partidos de esquerda? Há muitas divergências de programa?
VL – Há diferenças importantes entre nós e os demais partidos de esquerda. A principal é que o PSOL e o PCB acham que há um golpe em curso no país e que, portanto, deveríamos todos chamar os trabalhadores a lutar contra esse golpe. Para nós não há golpe e também o impeachment não é a solução. Na nossa opinião o impeachment não resolve o problema porque troca seis por meia dúzia. Para nós, esse é o momento de uma greve geral para derrubar não só Dilma, mas também Temer e a corja de corruptos do Congresso Nacional. A partir daí convocar eleições gerais com novas regras. Falaremos sobre isso na campanha. Se entrássemos numa coligação, os trabalhadores não teriam a chance de ouvir o nosso "Fora Todos Eles".
JD – Qual a avaliação que a senhora faz das regras eleitorais. Como a senhora pretende usar o pequeno tempo no rádio e na TV?
VL – As regras são expressão da ausência de democracia nas eleições. Veja, o PSTU vai ter oito segundos no horário eleitoral diário e algumas inserções aleatórias de 30 segundos. Para que as emissoras fossem obrigadas a nos convocar para os debates, precisaríamos ter pelo menos nove deputados federais. Aqui temos sete candidatos, mas na prática só três tem visibilidade. Os que mais aparecem são justamente os grupos que já governaram Aracaju: Edvaldo, João Alves, Valadares. Em nosso pouco tempo no rádio e na TV vamos apresentar nossas propostas e também denunciar a falta de democracia nas eleições.
JD – Qual a avaliação que a senhora faz dos governos federal, estadual e a atual gestão da PMA?
VL – Os governos federal, estadual e municipal buscam jogar a crise nas costas dos trabalhadores. Atacam nossos direitos, cortam verbas dos serviços públicos, atrasam os pagamentos dos salários dos servidores. O compromisso desses senhores é com os empresários, banqueiros, latifundiários, os financiadores de suas campanhas, os mesmos que estão afundando o Brasil em corrupção. Michel Temer é um presidente interino odiado, sem apoio popular, que segue a cartilha de arrocho iniciada por Dilma. Jackson Barreto não é diferente, desrespeita os direitos dos servidores, parcela salários e não faz nada diante alto índice de desemprego em nosso Estado. João Alves fez um governo de faz conta, Aracaju está abandonada, jogada na lama. Mesmo assim diz que ama Aracaju, imagine se não amasse. Não cumpriu um terço de suas promessas. É preciso varrer toda essa corja, dar um basta nessa velha forma de fazer política, precisamos colocar todos eles pra fora. Mais do que isso, é preciso que os trabalhadores governem. Por isso, o PSTU defende um governo verdadeiramente dos trabalhadores apoiado em Conselhos Populares, organizados nos bairros, nos locais de estudo e trabalho.
JD – O impeachment da presidente Dilma pode afetar o processo democrático? Temer poderá estabilizar o país?
VL – O impeachment é uma manobra de um congresso podre que remove um governo igualmente podre. O que vemos com o governo Temer é a continuidade e o aprofundamento da política do governo Dilma. Uma política de desemprego, arrocho, piora da vida para os trabalhadores e farra para os bancos, empresas e corruptos.
Os projetos que Temer quer aplicar, como as reformas trabalhista e da previdência, são duros ataques que não serão recebidos com passividade pelos trabalhadores. Por isso, achamos que ele não vai estabilizar o país. A maioria da população acha que os governos Dilma e Temer são iguais. Mais de 60% dos brasileiros querem novas eleições e não substituir Dilma por Temer. Para nós haverá ainda muita instabilidade no país. A saída dos trabalhadores para resolver a questão é a organização e luta. Fazer uma grande e forte greve geral que derrote os ajustes dos governos, e ponha para fora todos eles.


